OUÇA: Capinzalense que vive no Japão compartilha trajetória no mercado financeiro e destaca a importância da educação financeira
- Jardel Martinazzo
- 23/07/2026 09:18

Natural de Capinzal, a economista e consultora independente de investimentos Eliziane Freisleben participou, na manhã desta quinta-feira (23), de uma entrevista no Jornal 102, onde falou sobre sua trajetória profissional, a experiência no mercado financeiro, a vida no Japão e a importância da educação financeira para famílias, jovens e, especialmente, para as mulheres.
Formada em Comércio Exterior, especialista em Economia e mestre em Finanças e Gestão de Investimentos, Eliziane construiu sua carreira no Banco do Brasil, onde chegou a atuar como gestora de produtos na Diretoria Internacional da instituição, em Brasília. Atualmente licenciada do banco, mora no Japão, onde aprofunda seus estudos em finanças comportamentais e desenvolve uma mentoria voltada à educação financeira feminina.
Uma trajetória que começou em Capinzal
Durante a entrevista, Eliziane contou que o interesse pelo sistema financeiro surgiu ainda na infância, quando acompanhava a mãe ao banco e observava a rotina dos funcionários. Aos 21 anos, ingressou no antigo Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), posteriormente incorporado pelo Banco do Brasil, iniciando uma carreira que a levaria a ocupar cargos estratégicos na sede da instituição.
Em 2020, foi convidada para integrar a Diretoria Internacional do Banco do Brasil, justamente no início da pandemia de Covid-19.
Segundo ela, atuar em negociações com instituições financeiras de diversos países, em um período marcado pelo isolamento social, representou um dos maiores desafios profissionais de sua carreira.
A experiência internacional
A mudança para o exterior ocorreu em 2022, quando solicitou licença do Banco do Brasil para acompanhar o marido, Felipe D'Orsoletta, que trabalha no Centro Internacional de Tecnologia Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Depois de uma temporada no Uruguai, a família passou a residir no Japão.
Foi no país asiático que Eliziane concluiu o mestrado em Finanças e Gestão de Investimentos por uma universidade do Reino Unido e aprofundou seus estudos em finanças comportamentais, área que analisa como fatores emocionais e psicológicos influenciam as decisões relacionadas ao dinheiro.
Durante a conversa, ela destacou que o apoio da família foi fundamental para o crescimento profissional do casal.
O comportamento pesa mais do que a matemática
Um dos principais temas abordados na entrevista foi justamente o impacto do comportamento nas decisões financeiras.
Segundo Eliziane, muitas pessoas acreditam que investir depende apenas de conhecimentos técnicos, quando, na prática, disciplina, controle emocional e planejamento costumam ser fatores ainda mais importantes para alcançar bons resultados.
Ela explicou que as finanças comportamentais mostram como emoções, impulsividade e hábitos podem influenciar diretamente o sucesso ou o fracasso financeiro de uma pessoa.
Educação financeira para mulheres
Outro destaque da entrevista foi a mentoria que está sendo desenvolvida por Eliziane, voltada especialmente às mulheres.
Ela explicou que, apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, muitas mulheres ainda encontram dificuldades para assumir o protagonismo da gestão financeira da família, seja por fatores históricos, culturais ou pela falta de acesso à educação financeira.
Segundo a consultora, incentivar o conhecimento sobre investimentos significa promover autonomia, segurança e liberdade para a tomada de decisões.
Investimento não é aposta
Durante a entrevista, Eliziane também fez um alerta sobre a crescente popularização das apostas on-line entre os jovens.
Ela ressaltou que apostas não podem ser confundidas com investimentos e alertou para os riscos financeiros desse tipo de prática.
Antes de buscar rentabilidade, explicou, é fundamental construir uma reserva de emergência capaz de oferecer segurança diante de situações inesperadas, como desemprego ou problemas de saúde.
O que o Brasil pode aprender com o Japão
Ao comparar os hábitos financeiros dos japoneses com os dos brasileiros, Eliziane destacou diferenças importantes.
Segundo ela, no Japão existe uma forte cultura de prevenção e planejamento de longo prazo, construída ao longo da história do país diante de guerras e desastres naturais. Outro aspecto observado é a discrição em relação ao patrimônio, já que a ostentação faz pouco sentido para a cultura japonesa.
Na avaliação da economista, riqueza não deve ser medida pelos bens aparentes, mas pela tranquilidade financeira e pela liberdade de fazer escolhas sem depender de dívidas.
Mensagem aos jovens
Encerrando a entrevista, Eliziane deixou uma orientação especialmente aos jovens que estão iniciando a vida profissional. Ela recomendou que o estudo sobre finanças comece o quanto antes e alertou para um erro bastante comum: aumentar o padrão de vida na mesma velocidade em que cresce a renda.
Para
a especialista, criar o hábito de poupar, investir com planejamento e pensar no
longo prazo é o caminho para conquistar independência financeira e mais
liberdade para realizar projetos pessoais e profissionais.





