OUÇA: Dia do Professor: educadoras compartilham histórias, desafios e o amor pela profissão
- Jardel Martinazzo
- 15/10/2026 09:20

Ensinar nunca foi apenas uma questão de abrir o livro na página indicada ou preencher a lousa com conteúdos teóricos. Trata-se de desbravar universos particulares, incentivar descobertas diárias, apostar no potencial oculto de cada criança e fincar marcas profundas que nem a poeira dos anos consegue apagar.
Neste 15 de outubro, comemora-se o Dia do Professor. Para além das homenagens protocolares, a data convida a uma reflexão sobre a missão de educar e construir o amanhã.
A reportagem da Capinzal FM conversou com 3 professoras que destacaram suas trajetórias: a secretária de educação do município, Simone Salete Zapalalio de Oliveira Luz; a professora aposentada Janis Maria Bertola Scarton; e a diretora da Escola de Educação Básica Belisário Pena, professor Juvane Bazo Pereira.
O sonho nascido na escola multisseriada
Para a secretária Simone, este 15 de outubro é, antes de tudo, um momento de celebração e gratidão em nome da gestão pública a todos os profissionais que transformam a rotina das unidades escolares. Mas sua relação com a lousa começou muito antes de assumir a pasta.
"A profissão de professor é um sonho, um sonho realizado. O meu desejo sempre foi ser professora. Estudando em uma escolinha multisseriada no interior do município de Capinzal, o exemplo das minhas professoras é que me motivou", relembra Simone.
A secretária recorda que o gosto pela leitura e o encantamento no processo de alfabetização — o exato instante em que aprendeu a ler e escrever — foram os pilares para que ela compreendesse a força transformadora da educação.
"Depois disso, saber que eu pude transformar tudo isso na realização de um sonho e ajudar a construir esse mundo melhor para as outras pessoas... Carrego comigo a lembrança dos meus professores e agradeço a todos os que passaram pela minha vida. A formação vai muito além do cognitivo, de conteúdos e conhecimentos: envolve habilidades e valores que a gente carrega para a vida toda", pontua a secretária.
O tempo do giz, dos cadernos e as novas tecnologias
Se o ponto de partida de Simone foi no interior de Capinzal, a professora Janis Maria Bertola Scarton traz a bagagem de quem dedicou 26 anos da vida exclusivamente à sala de aula. Aposentada há 16 anos, ela acompanha a evolução do ensino pelos passos dos netos e pelas memórias que acumulou.
"Ser professor é uma missão. Você tem que amar aquilo que faz, porque senão você não sai do lugar. Se você vai se decidir por isso, lembre-se de que vai ter que se doar muito. A questão financeira é importante, mas se for pensar só nisso, você não vai ser professor. Existem outras possibilidades por aí", reflete Janis.
Analisando as transformações das últimas décadas, a educadora aposentada ressalta o abismo tecnológico entre o ensino do passado e a realidade atual.
"Lá no passado, nós não tínhamos essas oportunidades todas que o professor tem hoje. É tela, é tanta tecnologia moderna que o professor e os alunos podem se apropriar. No meu tempo, era mais o dia a dia, o livro didático, o quadro negro, os cadernos e as atividades. Mas era muito bom também! Quantas pessoas — médicos, profissionais de todas as áreas — passaram por aqueles vários professores aprendendo naquele caderninho, naquele quadro negro?", indaga Janis.
Mesmo reconhecendo que os tempos antigos pareciam mais difíceis estruturalmente, Janis adverte que a tecnologia atual não resolve todos os problemas. Para ela, a facilidade das telas só funciona quando acompanhada pelo compromisso dos docentes e pelo interesse real dos estudantes.
'A profissão está se extinguindo': a urgência de valorizar o mestre
Com mais de 30 anos de atuação na rede de ensino e atualmente à frente da direção da Escola de Educação Básica Belisário Pena, a professora Juvane vive a rotina intensa da gestão escolar. Ela aproveitou a data para parabenizar os colegas que mantêm a rotina das salas de aula desde as primeiras horas da manhã.
"A profissão de professor exige muita dedicação e comprometimento. Parabenizo todos os meus colegas que acordam cedinho e trabalham com essas crianças, adolescentes e jovens. Sabemos do empenho necessário para manter as atividades em sala de aula. É algo emocionante e gratificante, mas precisamos, de fato, valorizar essa profissão", alerta Juvane.
A diretora externa sua preocupação com o futuro da educação e com a falta de interesse dos jovens pela carreira docente.
"Nós percebemos na sociedade, com os nossos próprios alunos, que poucos têm hoje o objetivo de ser professor, por inúmeros fatores. Mas nós precisamos de profissionais, de professores para continuar as atividades, para manter as nossas escolas vivas e ativas. Pessoas comprometidas, que tenham essa profissão como um dom, como uma missão, e não simplesmente como um emprego ou fonte de renda", desabafa.
Para Juvane,
a essência do ser educador transcende qualquer explicação verbal. "É algo
que às vezes é difícil de expressar em palavras: o sentimento de ser
professor", conclui.
Ouça a entrevista das professoras Janis e Juvane ao Jornal 102 desta quinta-feira:





