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Dia Mundial da Cobra: biólogo alerta para a importância das serpentes e desmente mitos que podem colocar vidas em risco

  • Jardel Martinazzo
  • 16/07/2026 10:56
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Neste 16 de julho, quando é celebrado o Dia Mundial da Cobra, a data serve como um convite para refletir sobre a importância das serpentes para o equilíbrio da natureza. Apesar do medo que despertam em muitas pessoas, esses animais desempenham um papel fundamental no controle de pragas, especialmente de roedores, e ajudam a manter o equilíbrio dos ecossistemas.

Em entrevista, o biólogo Edson Fernando Spier explicou como ocorre a convivência entre seres humanos e serpentes, desmistificou crenças populares — principalmente sobre a cobra-coral — e orientou sobre os procedimentos corretos em caso de encontro ou acidente.

A ocupação humana aproximou as serpentes das pessoas

Segundo Spier, as serpentes já habitavam as florestas muito antes da ocupação humana. Com a expansão das cidades, da agricultura e das áreas de produção, o homem passou a ocupar espaços que antes pertenciam exclusivamente à fauna silvestre.

O biólogo explica que algumas espécies são extremamente sensíveis às mudanças ambientais e se afastam rapidamente quando há interferência humana. Outras, porém, conseguem se adaptar e acabam convivendo mais próximas das áreas urbanas e rurais, o que aumenta a possibilidade de encontros com as pessoas.

"Não foram as cobras que invadiram o espaço do homem. Na verdade, foi o homem que ocupou áreas onde esses animais sempre viveram", observa.

Predadoras importantes para o equilíbrio ambiental

Embora sejam vistas como ameaça, as serpentes exercem uma função indispensável na natureza. Elas controlam populações de ratos e outros pequenos animais que podem transmitir doenças e causar prejuízos à agricultura.

Ao mesmo tempo, também fazem parte da cadeia alimentar, servindo de alimento para diversas espécies.

Spier alerta que a eliminação indiscriminada desses animais pode provocar um desequilíbrio ambiental.

"Se a gente eliminar todas as cobras, em pouco tempo teremos um aumento muito grande da população de roedores."

Esse crescimento pode trazer consequências diretas para a saúde pública, além de aumentar os prejuízos nas lavouras.

A cobra-coral e os mitos que ainda persistem

Entre todas as serpentes, a cobra-coral continua sendo uma das espécies cercadas por informações equivocadas.

Uma das crenças mais difundidas afirma que é possível diferenciar a coral verdadeira da falsa apenas pela disposição das cores dos anéis. Para o biólogo, essa regra não é confiável.

Segundo ele, diversas espécies conhecidas como "falsas-corais" apresentam coloração muito semelhante à das corais verdadeiras, justamente como estratégia de defesa. Por isso, qualquer tentativa de identificação feita por pessoas sem conhecimento técnico pode ser extremamente perigosa.

Outro mito bastante conhecido é o de que a coral "pica pela cauda". Spier esclarece que isso não acontece.

O que ocorre é um comportamento defensivo: quando ameaçada, a serpente ergue e dobra a cauda para confundir o predador, desviando sua atenção da cabeça, que é a região vulnerável do animal.

A mordida sempre acontece pela cabeça.

O que nunca fazer em caso de picada

O biólogo também faz um alerta sobre práticas populares que ainda são adotadas em acidentes com serpentes, mas que podem agravar o quadro da vítima.

Uma delas é o uso de torniquetes. Antigamente era comum amarrar o membro atingido para impedir que o veneno se espalhasse pelo corpo.

Hoje, essa prática é totalmente contraindicada.

Ao impedir a circulação sanguínea, o torniquete concentra o veneno no local da picada, favorecendo a destruição dos tecidos, aumentando o risco de necrose e, em casos graves, levando até à amputação do membro.

Outra orientação é não recorrer apenas a tratamentos caseiros, como aplicação de borra de café, ervas, pomadas ou benzimentos.

Spier explica que alguns venenos podem demorar entre oito e doze horas para provocar sintomas mais graves. Essa demora cria uma falsa impressão de que o tratamento alternativo funcionou, quando, na realidade, o veneno continua agindo no organismo.

Também não se deve tentar cortar a pele ou sugar o veneno com a boca. Além de não remover a substância inoculada pela serpente, essas práticas aumentam o risco de infecções e complicações.

Como agir da maneira correta

Ao encontrar uma serpente, a principal recomendação é manter distância e jamais tentar capturá-la ou matá-la.

Na maioria das situações, esses animais procuram fugir e só atacam quando se sentem encurralados ou ameaçados.

Caso a serpente esteja em uma residência ou represente risco para as pessoas, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros, que possui treinamento e equipamentos adequados para realizar a captura de forma segura.

Em caso de acidente, a vítima deve procurar atendimento médico imediatamente.

Se for possível e sem colocar ninguém em risco, uma fotografia da serpente pode auxiliar a equipe médica na identificação da espécie e na escolha do soro antiofídico mais adequado.

Informação salva vidas

Para Edson, o medo das serpentes muitas vezes nasce da falta de informação. Conhecer o papel desses animais na natureza e saber como agir diante de um encontro ou de um acidente é a melhor forma de proteger tanto as pessoas quanto a biodiversidade.

No Dia Mundial da Cobra, a principal mensagem é de conscientização: respeitar esses animais, evitar atitudes impulsivas e buscar informação correta são medidas que ajudam a preservar vidas e a manter o equilíbrio ambiental.


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