Saúde

Dia Mundial de Conscientização ao Autismo – Reconhecendo as diferenças e abraçando o potencial de cada pessoa

  • Gabriel Leal
  • 02/04/2025 09:42
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O Jornal 102 recebeu, na manhã desta quarta-feira, 2 de abril, a presidente da AMA Capinzal, Elena Casagrande Rech, da 2ª secretária da diretoria, Flávia Helena Bonato, e da psicóloga da instituição, Pamela Rodrigues de Freitas. A ocasião marcou a celebração do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo.

Durante a entrevista, a psicóloga Pamela explicou que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) se caracteriza por uma alteração no desenvolvimento cerebral, afetando a forma como a criança percebe o mundo. O transtorno é classificado em três níveis de suporte: o nível I, que exige pouco apoio; o nível II, que demanda apoio moderado; e o nível III, que requer grande suporte. Sobre as causas do TEA, Pamela apontou uma relação com fatores genéticos e enfatizou que o diagnóstico precoce, preferencialmente na infância, é essencial para um tratamento adequado. Ela detalhou que, até os três anos de idade, é possível observar sinais do transtorno, como dificuldades na interação ocular com os pais, respostas inadequadas quando chamados, perda de habilidades previamente adquiridas, como a fala, além da interrupção dessas habilidades em determinados períodos. Outras características incluem o desinteresse por brincadeiras interativas.

No decorrer da infância e adolescência, Pamela destacou que a dificuldade em fazer e manter amizades é um dos principais indicativos do transtorno, assim como o intenso interesse por um único tema, conhecido como "hiperfoco", além de hipersensibilidade a sons e texturas.

Flávia, que é mãe de um filho autista de nível III de suporte, com 8 anos, compartilhou sua experiência. Ela relembrou que, no início da infância, o filho demonstrava um hiperfoco por símbolos. Durante uma viagem, um trauma fez com que ele parasse de desenvolver algumas habilidades. Ela relatou que a pandemia trouxe desafios adicionais, como as limitações impostas pelas restrições. Flávia explicou que, devido ao autismo, o filho precisa de acompanhamento constante, mostrando interesse apenas por coisas que lhe atraem, mas sem realizar atividades básicas. Atualmente, ele frequenta a AMA meio período, enquanto o outro período passa em casa com o pai. Ela também observou que uma característica comum entre autistas é o andar nas pontas dos pés, algo que, embora não tenha ocorrido inicialmente com o filho, passou a ser frequente após algum tempo.

Emocionada, a presidente da AMA, Elena, apresentou as atividades planejadas para o mês de abril. Na manhã de hoje, às 9h, teve início a caminhada de conscientização sobre o autismo, realizada na Praça Pedro Lélis da Rocha, com um ponto alto em frente à Prefeitura Municipal. Além disso, a AMA lançou uma campanha em parceria com a comunidade, incluindo uma acadêmica de enfermagem, para arrecadar brinquedos, jogos pedagógicos e livros que serão destinados à instituição e distribuídos aos alunos. A arrecadação também será realizada durante as festividades dos 62 anos de Capinzal, no próximo domingo, 6 de abril, na Praça Pedro Lélis da Rocha, onde a AMA estará responsável pela alimentação. Outros pontos de coleta serão divulgados em breve.

Elena também anunciou que nos dias 16 e 17 de abril, o Centro Educacional Celso Farina sediará o 3º Seminário Intermunicipal sobre "Autismo e Inclusão Escolar", promovido pelas Secretarias de Educação de Capinzal e Ouro, juntamente com a AMA, APAE e a Escola do Legislativo Iria Dambroz. Os palestrantes serão Michelli Sabatini e Fernando Calil. No dia 16, às 19h, haverá um evento aberto à comunidade, com o objetivo de aprofundar o tema.

A presidente informou ainda que a AMA atualmente atende 90 alunos, entre crianças e adolescentes. Destes, 21 estão desvinculados da Fundação Catarinense de Educação Especial, enquanto 61 permanecem vinculados e 7 tiveram o vínculo validado. Elena explicou que a desvinculação implica a interrupção dos repasses financeiros para manter as atividades da instituição. Ela também revelou que foi informada, nesta quarta-feira, sobre a redução dos recursos do Governo do Estado destinados à instituição, com uma diminuição no valor individual repassado por aluno, o que impacta diretamente na continuidade dos serviços prestados.

Por fim, a psicóloga Pamela orientou a comunidade a procurar atendimento especializado caso perceba sintomas do TEA em crianças ou conhecidos, ressaltando a importância de buscar profissionais como psicólogos, fisioterapeutas, médicos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, entre outros. A AMA está disponível para esclarecer dúvidas e prestar apoio, localizada na Rua Emília Barison, nº 128, no Loteamento Santa Terezinha, em Capinzal.

Ouça a entrevista: 


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