Economia

Lucro da MBRF recua 92% no quarto trimestre e 78% no ano

  • Jardel Martinazzo
  • 18/03/2026 19:07
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A companhia brasileira MBRF, que administra as marcas Sadia, Perdigão e Qualy, teve um lucro líquido de R$ 91 milhões no quarto trimestre de 2025, resultado 92% menor que o registrado no mesmo período de 2024. No ano, o lucro líquido caiu 78%, para R$ 358 milhões.

O desempenho do trimestre foi impactado pelo aumento das despesas financeiras e pelos custos associados à reestruturação e ao processo de fusão.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado recuou 9,1% no trimestre e ficou em R$ 3,41 bilhões, com margem de 7,8%. No ano, o Ebitda ajustado caiu 3,2%o, para R$ R$ 13,2 bilhões, com margem de 8%.

Esse resultado no lucro líquido e operacional ocorreu apesar de a empresa ter registrado em 2025 uma receita líquida recorde de R$ 164 bilhões, crescimento de 12% em relação a 2024. O volume de vendas alcançou 8,2 milhões de toneladas, alta de 4% no ano.

Durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (18), o CEO da MBRF, Miguel Gularte, destacou que os resultados mostram que apesar dos desafios no setor de proteínas a empresa conseguiu registrar desempenho recorde no último ano.

No ano passado, as restrições temporárias ao comércio de frango causadas pela gripe aviária impactou as exportações da empresa. Dessa forma a companhia manteve a disciplina operacional e capturou R$ 1 bilhão em ganhos com seu programa de eficiência, afirmou.

"Cerca de R$ 1 bilhão foi destinado a aquisições estratégicas, incluindo a compra de uma fábrica de processados na China, a entrada no mercado de frango resfriado na Arábia Saudita e a aquisição de 50% da Gelprime, ampliando o portfólio para gelatina e colágeno", informou a MBRF em seu balanço.

Na operação BRF, a receita líquida de 2025 alcançou R$ 65 bilhões, crescimento de 5,8% na comparação anual, consolidando uma trajetória consistente de crescimento.

Já no mercado interno, a empresa registrou recorde de vendas em processados, avanço de 7% do volume total em relação a 2024. Este desempenho foi sustentado pela manutenção de elevados níveis de execução comercial e pela ampliação da base de
clientes atendidos, que cresceu 8% no período

Novas habilitações

De acordo com o Diretor Vice-Presidente de Agro e Qualidade da empresa, Fábio Duarte Stumpf, as novas habilitações para exportação que conseguiram nos últimos anos contribuíram para o avança na receita. Foram 230 novas habilitações e resultado de um movimento consistente de diversificação geográfica iniciado em 2022.

Na operação de carne bovina na América do Norte, a receita líquida foi de US$ 14 bilhões, alta de 11,8%, com Ebitda e US$ 133 milhões. Na América do Sul, o volume cresceu 15% e a receita 20%, com Ebitda de R$ 2,2 bilhões, avanço de 28% em relação a 2024.

Miguel Gularte afirma que "a companhia reforça seus diferenciais competitivos com presença global diversificada e portfólio multiproteína". Ele acrescenta que "nosso modelo reduz a exposição a ciclos específicos de cada mercado e produtos processados de maior valor agregado mostram nossa capacidade de inovar e gerar diferenciação".

Com relação aos investimentos, a empresa informou que investiu R$ 5,3 bilhões em expansão de linhas, aumento de capacidade e modernização de unidades industriais no último ano
.

Créditos: CNN

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