Funcionária pública relembra os momentos de pânico no assalto ao Bamerindus em Ouro há 46 anos
- Jardel Martinazzo
- 04/09/2026 09:36

Há 46 anos, o município de Ouro viveu um dos episódios mais violentos de sua história recente. No dia 4 de setembro de 1980, uma tentativa de assalto à antiga agência do Banco Bamerindus, na Rua Felipe Schmidt, transformou o centro da cidade em cenário de tensão e tiros.
Em entrevista à Capinzal FM, a funcionária pública Leda Mara Pogere, que na época morava e ajudava a família em um estabelecimento próximo ao banco, ainda guarda na memória os detalhes daquela tarde.
Leda conta que havia acabado de chegar do colégio e almoçava no bar e bolão do pai quando, por volta do meio-dia, o subgerente do banco apareceu correndo. Ele havia percebido a ação dos criminosos e pediu ajuda para chamar o delegado.
A notícia rapidamente se espalhou e dezenas de moradores se concentraram nas proximidades da agência. O então sargento Pedro Morosini, que atuava como delegado de Ouro, chegou ao local e entrou sozinho no banco para enfrentar os assaltantes, que eram naturais de São Paulo e estavam trabalhando nas obras da Perdigão, hoje MBRF.
Tiros e confusão
Segundo Leda, o confronto dentro da agência foi marcado por intensa troca de tiros. A situação ficou ainda mais perigosa quando moradores armados se posicionaram do lado de fora e começaram a disparar contra o prédio.
“Os tiros vinham de fora, porque em questão de minutos o povo se armou. O sargento Morosini levou tiros de espingarda, com chumbo no dedo, vindos justamente do lado de fora”, relembra.
Morosini e o vigia da agência ficaram feridos durante o confronto. O pai de Leda também pegou um revólver e foi até o local para ajudar na contenção dos criminosos.
Dois assaltantes morreram durante a ação. Um terceiro integrante do grupo, descrito na época como um adolescente de 12 anos, tentou fugir em meio à movimentação dos moradores, mas acabou sendo contido. O pai de Leda e outro morador o levaram até a delegacia.
Uma cena que ficou na memória
Após o confronto, o interior do banco apresentava marcas da violência.
“Foi uma cena terrível naquele banco. Tudo cheio de sangue, mesas viradas, cadeiras, os funcionários todos apavorados. Havia sacolas de papelão e de lona cheias de dinheiro no chão, nada foi levado”, recorda Leda.
O episódio deixou marcas na comunidade de Ouro, que na época era uma cidade pequena e tranquila. Para Leda, a lembrança permanece viva mesmo após 46 anos.
“Levo essa história na memória como se tivesse acontecido hoje. A comunidade se uniu naquele momento, mas o perigo foi enorme. Para o sargento Morosini e para muitos que estavam ali, aquele dia representou uma segunda vida.”





