Penharol Esporte Clube comemora 45 anos de uma história marcada por conquistas, amizade e paixão pelo futebol
- Douglas Varela
- 31/10/2026 08:37

Primeira formação PEC
O dia 31 de outubro de 1981 marca o início de uma história que deixou saudades e muitas lembranças no esporte de Ouro, Capinzal e região. Há 45 anos, nascia o Penharol Esporte Clube (PEC), uma agremiação que conquistou seu espaço dentro e fora de campo, colecionou títulos e construiu uma trajetória marcada pela amizade, dedicação e paixão pelo futebol.
A história do Penharol começou a partir de uma dissidência do Arabutã Futebol Clube. Na época, havia um grande número de bons jogadores no elenco do tradicional time da Baixada Rubra, e alguns atletas acabavam tendo poucas oportunidades para atuar. Diante dessa realidade, um grupo decidiu seguir um novo caminho e fundar a própria equipe.
Inicialmente, o grupo tentou adquirir um terreno na comunidade de Coxilha Seca, nas proximidades do atual Bairro Kleinubing, com o objetivo de construir seu próprio campo. A negociação não avançou e, posteriormente, o Penharol passou a mandar seus jogos no Estádio da Vila São José, local que se tornou sua casa durante toda a trajetória. Também houve tentativas de aquisição daquele espaço, mas a negociação não se concretizou.
Um time construído na base da amizade e do esforço coletivo
Em contato com à Capinzal FM, o empresário Valdecir Dambros, o Pelé, que fez parte da história do clube como dirigente e atleta, recorda com carinho os tempos do Penharol.
Segundo ele, o PEC era um time fantástico, com jogadores de muita qualidade, mas enfrentava dificuldades estruturais. Não possuía campo próprio para treinamentos e dependia de rifas, doações e da colaboração de pessoas próximas para manter as atividades.
Por muitos anos, nenhum jogador recebia para vestir a camisa do Penharol. O compromisso era com o grupo, com a amizade e com o amor pelo futebol. Além de entrarem em campo, muitos atletas também participavam diretamente da administração e da organização da equipe.
O primeiro amistoso foi disputado justamente em 31 de outubro de 1981. Entre os jogadores que participaram daquele momento histórico estavam: Gringo, Pedro Píssolo, Papel, Bassoto, Sava, Zé Gomes, Rogério Sobotka, Pedro Casagrande, João Parisotto, Miguel Picinatto, Miguel Molinetti, Adão Ladir e o próprio Pelé.
Depois foram somando atletas do quilate de Maurício Dambros, Lilico, Polaco, Forma, Clair, Nego e outros jogadores que ajudaram a dar os primeiros passos do novo projeto.
Com o passar do tempo, o elenco foi se fortalecendo e o Penharol passou a construir uma trajetória de grandes resultados.
Uma coleção de títulos e conquistas históricas
Dentro de campo, o Penharol se tornou uma das principais forças do futebol amador regional. Foi um dos fundadores da Liga Esportiva do Baixo Vale do Rio do Peixe (LDV) e disputou sete campeonatos regionais, conquistando cinco títulos. As duas derrotas em decisões foram diante do Nacional de Ipira e do Grêmio Esportivo Lírio de Zortéa.
A equipe também conquistou por duas vezes a Taça O Casarão, competição que tinha caráter rotativo. Na última disputa, o troféu acabou ficando com a equipe da São José, da Vila São José.
Entre as grandes campanhas está a participação na Copa RBS, competição estadual de futebol amador. O Penharol chegou à semifinal e acabou eliminado pelo Frei Bruno, de Joaçaba. O PEC alega que foi muito prejudicado nesta partida.
Outra campanha memorável foi a semifinal do Estadual de Amadores, diante do Canto do Rio, de Florianópolis. No primeiro confronto, em casa, as equipes empataram. Na partida de volta, na capital catarinense, o PEC acabou derrotado por 1 a 0 e ficou fora da decisão. Um pênalti desperdiçado naquela partida também permaneceu na memória de quem acompanhou a campanha.
Para Pelé, a não conquista do título estadual foi uma das grandes frustrações da trajetória do clube. Apesar disso, ele não esconde o orgulho pelo que foi construído. Na sua avaliação, durante uma determinada geração, o Penharol praticamente dominou as competições que disputava. Era uma equipe acostumada a vencer e que conquistou praticamente tudo em âmbito local e regional.
O Penharol também fez história nas quadras
A trajetória vitoriosa não ficou restrita aos gramados. O Penharol teve participação marcante nos campeonatos de verão de futsal de Capinzal e nas competições organizadas em Ouro, conquistando inúmeros títulos.
Pelé recorda com emoção algumas finais que entraram para a memória esportiva da região. Os confrontos diante da Quitanda Dorini, com o Diletão completamente lotado, os duelos contra o Bradesco, no Ginásio André Colombo, e os jogos diante da equipe do Thomazoni, em Capinzal, estão entre as lembranças que marcaram aquela época.
Eram partidas que mobilizavam torcedores, despertavam rivalidades e proporcionavam grandes espetáculos esportivos.
O sucesso também tinha relação com a qualidade dos atletas. Muitos estavam bem preparados física e tecnicamente e também defendiam a então CME Capinzal, atualmente Fundação Municipal de Esportes (FME).
Uma família dentro e fora das quatro linhas
Mais do que os resultados e os troféus, o que ficou na memória de quem participou daquela história foi o espírito de união.
Pelé destaca a importância de pessoas que se dedicaram ao clube, seja dentro de campo, na diretoria ou nos bastidores. Maurício Dambros, por exemplo, esteve à frente da presidência por mais quatro anos, enquanto Valdecir Dambros atuou como dirigente durante sete anos.
Também passaram pela presidência e pela direção esportiva nomes como Dirceu Bazzo, Celso Faccin e Vlademir Molin, além de muitos outros colaboradores.
Pelé faz questão de lembrar que a maioria dos jogadores também ajudava na administração, contando ainda com um grupo de apoio que contribuía para a manutenção das atividades.
Uma das figuras mais lembradas é o Nego, recordado com muito carinho por Pelé. Mais do que um companheiro de equipe, era uma referência para o grupo. "Era o nosso pai, nossa referência", resume, ao recordar o saudoso amigo.
O uniforme amarelo e preto, inspirado no tradicional Peñarol do Uruguai, também se tornou uma marca registrada. Assim como a famosa Kombi utilizada pela equipe, que até hoje desperta lembranças entre os antigos atletas e torcedores.
A rivalidade esportiva com equipes tradicionais, como Arabutã, São José, Vasco, Bonsucesso, Atlântico, Grêmio Esportivo Lírio, AARP e Nacional, ajudou a fortalecer ainda mais o nome do Penharol e movimentar o futebol regional.
O fim das atividades e um legado que permanece
O Penharol manteve suas atividades competitivas até 1999, participando de campeonatos locais e regionais. Com o passar dos anos, porém, a equipe começou a enfrentar dificuldades para renovar seu elenco. A falta de novos atletas e o aumento dos custos para trazer jogadores de outras localidades tornaram a manutenção do time cada vez mais difícil.
Diante desse cenário, a direção decidiu suspender as atividades.
O encerramento das participações oficiais não apagou, entretanto, a história construída ao longo dos anos. Ficaram os títulos, as grandes partidas, as rivalidades, as viagens, as amizades e, principalmente, a lembrança de uma equipe que representou muito para o esporte amador de Ouro, Capinzal e região.
O Penharol foi mais do que um time de futebol. Foi um projeto construído por pessoas que acreditavam no esporte, que não mediam esforços para manter a equipe em atividade e que encontravam na convivência esportiva uma razão para seguir juntos.
Uma história de conquistas, superação e companheirismo que merece ser lembrada e preservada pelas novas gerações.
E você, que fez parte dessa história?
A Capinzal FM convida ex-atletas, dirigentes, torcedores e amigos do Penharol Esporte Clube a participarem desse resgate histórico.
Deixe nos comentários os nomes dos jogadores e dirigentes que marcaram época no PEC. Se você vestiu essa camisa, conte qual partida, campeonato ou conquista ficou guardada na sua memória.
Porque os anos passam, os times deixam de entrar em campo, mas as grandes histórias do esporte jamais deixam de ser lembradas.
(Colaboraram com essa breve reportagem Valdecir Dambros (Pelé) e Antonio Moacir Becher (Neguinho)
Créditos: Por Marlo Matielo/Capinzal FM





