Saúde

Pets idosos: veterinária explica como identificar a 'melhor idade' e quais cuidados garantem qualidade de vida aos animais

  • Jardel Martinazzo
  • 16/06/2026 15:32
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O avanço da medicina veterinária e a maior conscientização dos tutores têm proporcionado uma realidade gratificante: cães e gatos estão vivendo cada vez mais. No entanto, o aumento da longevidade traz consigo um grande desafio. De acordo com a médica veterinária Dra. Lorena Milan Tonelo, a meta atual não é apenas somar anos à vida dos animais, mas garantir que esse tempo seja vivenciado com saúde, conforto e dignidade.

"A minha principal orientação é: não encare o envelhecimento como doença. Ele deve ser encarado como uma fase que exige atenção e muito cuidado", afirma a veterinária.

A transição para a "melhor idade" não ocorre ao mesmo tempo para todos os animais. Ela varia drasticamente dependendo da espécie e, no caso dos cães, do porte.

(Foto: Dra Lorena Milan Tonelo)

Cães de grande porte: Entram na velhice mais cedo, sendo considerados idosos a partir dos 6 a 7 anos.

Cães de pequeno porte e gatos: Costumam atingir essa fase mais tarde, por volta dos 8, 9 ou até 10 anos.

Nessa etapa da vida, é comum observar a diminuição da atividade física do pet, alterações no metabolismo, perda de massa muscular e redução da audição e da visão. Além disso, os animais podem apresentar mudanças comportamentais que exigem um olhar mais atento dos responsáveis.

Os pilares dos cuidados na velhice: prevenção e adaptação

Para contrapor o envelhecimento dos pets, a especialista enfatiza que o principal investimento deve ser na prevenção.

Consultas veterinárias a cada 6 meses

Enquanto nos animais jovens os check-ups anuais são a norma, para os idosos o recomendado são as consultas a cada seis meses. Como o tempo passa mais rápido para eles, esse intervalo permite diagnosticar precocemente doenças muito frequentes na idade, como problemas renais, cardíacos, endócrinos e articulares. Manter a vacinação e o controle de parasitas em dia continua sendo indispensável.

Alimentação sob medida e dietas terapêuticas

A nutrição precisa ser adaptada para cada fase. Animais idosos podem precisar de rações específicas para controlar o peso ou preservar a massa muscular. Além disso, existem as chamadas dietas terapêuticas, que auxiliam no controle de doenças crônicas — como alimentos com baixo teor de sódio para cardiopatas ou rações especiais para problemas renais e alergias.

Exercícios de baixo impacto

A atividade física não deve ser interrompida, mas sim ressignificada. Longas corridas ou brincadeiras abruptas — como saltar do sofá ou correr atrás de bolinhas em alta velocidade — devem dar lugar a passeios mais curtos e exercícios de baixo impacto. "Isso vai ajudar a manter a mobilidade, uma boa saúde mental e uma boa qualidade de vida", explica a Dra. Lorena.

Sinais de alerta: o que não pode ser ignororado

Muitas vezes, os tutores tendem a normalizar certos comportamentos, associando-os erroneamente apenas à "calmaria da velhice". A veterinária faz um alerta crucial: dor e isolamento não são normais.

Os responsáveis devem acender o sinal de alerta caso notem as seguintes alterações:

Peso: Perda ou ganho de peso excessivo e rápido.

 Sede e urina: Aumento expressivo no consumo de água e na quantidade de xixi (sinais que podem indicar problemas renais ou endócrinos).

Mobilidade: Dificuldade para caminhar, subir escadas ou pequenos degraus.

Tosse e vômitos: Presença de tosses frequentes (que podem apontar para problemas cardíacos) ou episódios de vômito.

Comportamento: Prostração, perda de apetite, desorientação ou o hábito de ficar muito isolado.

"Às vezes o responsável acha normal que ele está mais quieto porque ele é mais velho, e na verdade ele pode estar com dor por conta de uma artrose", exemplifica a médica veterinária.

Adequar o ambiente doméstico, como colocar portões para evitar que o pet suba ou desça escadas sozinho, também faz parte do plano de cuidado diário. Com o acompanhamento profissional correto, modificações na rotina e uma dose extra de afeto, cães e gatos podem envelhecer com bem-estar e continuar sendo excelentes companheiros por muitos anos.

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