Acusado de matar caminhoneiro em Ponte Serrada responderá em liberdade e será julgado pelo Tribunal do Júri
- Jardel Martinazzo
- 19/06/2026 23:28

A Justiça determinou que o homem acusado de matar o caminhoneiro Jhonatam Junior da Silva Novask, de 30 anos, em Ponte Serrada, no Oeste de Santa Catarina, seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Na mesma decisão, o magistrado revogou a prisão preventiva do réu, que passará a responder ao processo em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares.
A decisão de pronúncia encerra a fase de instrução processual e reconhece a existência de indícios suficientes para que o caso seja analisado pelos jurados. A data do julgamento ainda será definida.
O crime ocorreu na manhã de 27 de julho de 2025, por volta das 8h30, em uma via paralela à BR-282, nas proximidades de um posto de combustíveis. Conforme as investigações, a ocorrência teve origem em um desentendimento de trânsito que evoluiu para uma briga.
Durante a confusão, o caminhoneiro foi atingido por golpes de faca. Ele chegou a ser atendido por equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
Defesa sustenta legítima defesa
Ao comentar a decisão judicial, a defesa afirmou ter recebido o resultado com tranquilidade e destacou que sempre sustentou uma versão diferente daquela apresentada logo após o crime.
Segundo os advogados, o acusado estava no posto de combustíveis tentando acalmar a esposa quando a vítima chegou ao local. A defesa afirma que o caminhoneiro teria iniciado uma discussão que acabou evoluindo para agressões físicas.
Ainda conforme a versão apresentada pelos defensores, o investigado estava desarmado, portando apenas um telefone celular, e teria ficado encurralado junto ao próprio veículo durante o confronto.
Para a defesa, a reação que resultou na morte do caminhoneiro ocorreu em um contexto de legítima defesa.
“Na condição de advogado de defesa, recebemos hoje com muita tranquilidade, serenidade e senso de justiça a decisão vinda da comarca de Ponte Serrada. Desde o primeiro momento, nós sustentamos que a realidade dos fatos não correspondia àquela narrativa que foi inicialmente divulgada”, afirmou o advogado Anderson Fedatto.
O defensor também destacou o histórico pessoal e profissional do cliente.
“Durante toda a instrução processual, a defesa demonstrou de forma muito clara e robusta que o meu cliente — um trabalhador, motorista profissional com mais de 40 anos de estrada e uma conduta ilibada — jamais quis agir, a não ser para defender a sua própria integridade física”, declarou.
Prisão preventiva é revogada
De acordo com Fedatto, um dos principais pontos da decisão foi a revogação da prisão preventiva.
“O juízo acolheu o nosso pedido para revogar a prisão preventiva, aplicando apenas medidas cautelares simples. Com isso, ficou expressamente reconhecido que ele não oferece qualquer risco à ordem pública e responderá aos demais atos do processo em total liberdade”, explicou.
Embora o caso tenha sido encaminhado ao Tribunal do Júri, a defesa avalia que a medida decorre do procedimento legal adotado para crimes dolosos contra a vida e mantém a expectativa de absolvição.
“Nós seguiremos firmes e com plena confiança na Justiça, convictos de que, no momento oportuno, o Tribunal do Júri confirmará em definitivo a sua absolvição”, concluiu o advogado.
Próximos passos
Com a decisão de pronúncia, o processo segue agora para os trâmites que antecedem o julgamento pelo Tribunal do Júri. A Justiça ainda deverá definir a data em que o caso será levado a julgamento.Essa versão contextualiza melhor o crime logo no início, organiza as informações em blocos e dá mais peso jornalístico à matéria.



