Defesa comenta decisão do TJSC sobre condenação de mulher que matou marido e escondeu corpo em freezer em Lacerdópolis
- Jardel Martinazzo
- 06/10/2026 11:22

A decisão da segunda instância manteve a pena de 20 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pelos crimes de homicídio qualificado por asfixia e por recurso que dificultou a defesa da vítima, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. A pena foi atenuada em razão da confissão. O recurso apresentado pelo Ministério Público, que buscava o aumento da pena, também foi rejeitado.
Apesar da manutenção da condenação, o julgamento do recurso não foi unânime. O placar terminou em dois votos a um, e justamente o voto divergente é apontado pela defesa como fundamento para tentar levar o caso a uma nova análise.
O advogado Matheus Molin explica que o voto vencido reconheceu possíveis irregularidades na formulação dos quesitos apresentados aos jurados durante o julgamento realizado em agosto de 2025, na Câmara de Vereadores de Capinzal.
Segundo a defesa, essas supostas irregularidades teriam prejudicado o exercício da defesa e dificultado a compreensão, pelos jurados, da tese apresentada em favor de Claudia.
Para o advogado, o voto divergente representa um ponto importante para a continuidade da discussão judicial do caso.
Molin também voltou a defender a existência de um histórico de violência doméstica envolvendo Claudia. Segundo ele, a defesa sustenta que ela teria vivido situações de violência durante aproximadamente duas décadas, procurado as autoridades, solicitado medida protetiva e tentado deixar o relacionamento.
Na avaliação da defesa, esses elementos deveriam ter sido considerados de forma diferente pelo Tribunal do Júri. O advogado afirma que Claudia relatou os episódios de violência desde o primeiro momento em que se apresentou à Polícia Civil e que, diante desse contexto, a tese defensiva era pela absolvição.
A defesa entende que o histórico apresentado demonstra que Claudia estaria inserida em um ciclo de violência e que essa circunstância deveria ter sido considerada na análise dos fatos.
Com a decisão do TJSC, entretanto, a condenação permanece válida. A defesa informou que pretende apresentar o recurso cabível dentro do prazo legal de 10 dias, utilizando como um dos principais argumentos o voto divergente que apontou as supostas irregularidades na quesitação.
A intenção é buscar a anulação do julgamento realizado pelo Tribunal do Júri e, consequentemente, a realização de um novo julgamento.
De acordo com Matheus Molin, a expectativa da defesa é que essa nova análise do recurso ocorra no início de 2027, possivelmente entre fevereiro e março. Caso o pedido não seja acolhido no âmbito do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a defesa afirma que pretende levar a discussão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Enquanto os recursos seguem sendo avaliados, Claudia permanece presa em regime fechado no Presídio Feminino de Chapecó. Conforme relatado pela defesa, ela trabalha dentro da unidade prisional, mantém contato com os advogados e familiares e acompanha os desdobramentos do processo.
Segundo Molin, Claudia demonstra serenidade e mantém a expectativa de que possa ter direito a um novo julgamento, que, na avaliação da defesa, deverá considerar os argumentos relacionados ao histórico de violência doméstica e às questões apontadas no voto divergente do TJSC.
Relembre o caso
O crime ocorreu em 19 de novembro de 2022, em Lacerdópolis. Valdemir Hoeckler, de 52 anos, havia sido dado como desaparecido e foi localizado cinco dias depois dentro do freezer da própria residência, escondido sob alimentos e bebidas, com as mãos e os pés amarrados.
Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina, Valdemir teria sido dopado com medicamentos, amarrado e asfixiado com uma sacola plástica. Claudia chegou a publicar um vídeo nas redes sociais no dia em que o corpo foi encontrado, confessando a morte e alegando que sofria violência doméstica.
O Ministério Público, porém, apresentou outra versão dos fatos durante o processo e sustentou a existência de premeditação e asfixia. Claudia foi posteriormente julgada pelo Tribunal do Júri, em sessão realizada na Câmara de Vereadores de Capinzal, e condenada.
Agora, a defesa tenta utilizar o voto divergente do julgamento em segunda instância para buscar a anulação da condenação e a realização de um novo julgamento.




