Chuvas intensas dificultam combate ao borrachudo em Capinzal, alerta Epagri
- Jardel Martinazzo
- 21/10/2026 10:30

O excesso de chuvas tem dificultado o combate ao mosquito borrachudo em Capinzal. Segundo o engenheiro agrônomo e extensionista da Epagri, Vilmar Reck, o nível elevado dos rios e a água turva comprometem a eficácia das aplicações de larvicida, impedindo que o cronograma de controle seja cumprido conforme o planejado.
Desde o fim do inverno, foram realizadas apenas três aplicações, nos meses de agosto, setembro e outubro. O ideal, conforme o extensionista, seria ter feito pelo menos seis nesse período.
Programa de controle tem mais de 30 anos
O trabalho de combate ao borrachudo é realizado em Capinzal desde a década de 1990. Inicialmente, as ações eram concentradas no Rio Santa Cruz e em seus afluentes. Posteriormente, o programa foi ampliado para incluir também o Rio Capinzal.
De acordo com Vilmar Reck, o trabalho tem contribuído para manter a infestação sob controle ao longo dos anos.
O produto utilizado é um larvicida de origem natural, aplicado diretamente na água para eliminar as larvas do inseto. Para garantir a eficiência do procedimento, porém, é necessário que os rios apresentem condições adequadas, com água limpa e nível mais baixo.
Na aplicação mais recente, realizada nos rios Santa Cruz e Capinzal, foram utilizados aproximadamente 66 litros do produto.
Por causa do custo do larvicida, a equipe precisa avaliar cuidadosamente as condições antes de realizar o procedimento. Com os rios cheios e a água turva, a aplicação pode perder eficácia e representar desperdício de recursos.
Regiões podem registrar maior presença do inseto
A situação preocupa especialmente moradores de regiões mais distantes, como as bacias do Lindenberg, Alto Alegre, Vidal Ramos e Linha Oficina, que podem registrar maior presença de borrachudos.
Reck também destacou que a falta de mata ciliar e a proximidade de áreas de criação de gado podem agravar o problema. Durante as enxurradas, o esterco dos animais pode ser levado para os cursos de água, contribuindo para as condições favoráveis ao desenvolvimento das larvas.
Com a aproximação do verão, período em que a presença do inseto costuma causar incômodo à população, a equipe segue monitorando as condições dos rios para retomar as aplicações sempre que houver viabilidade técnica.
Epagri orienta moradores a reforçar a proteção
Enquanto o controle depende das condições climáticas e dos níveis dos rios, a orientação é que os moradores adotem medidas de proteção individual para reduzir o incômodo provocado pelas picadas.
Entre as recomendações estão o uso de repelentes e de roupas compridas, como camisas de manga longa e calças, principalmente em áreas próximas a rios e riachos.
A Epagri reforça que a colaboração da comunidade e a continuidade do monitoramento são importantes para o controle do borrachudo no município.




