Circuito FAMPESC reúne empresários em Capinzal para debater os desafios da Reforma Tributária
- Jardel Martinazzo
- 06/08/2026 06:22

Empresários, contadores, gestores públicos e profissionais da área fiscal participaram nesta quarta-feira (5) de mais uma etapa do Circuito FAMPESC – Reforma Tributária, no auditório da Unoesc, em Capinzal.
A iniciativa foi promovida pela Associação das Micro e Pequenas Empresas de Capinzal e Ouro (AMPECO), em parceria com a Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (FAMPESC), com apoio do Sebrae e da Administração Municipal. O objetivo é preparar as empresas da região para as mudanças trazidas pela Reforma Tributária.
A palestra foi ministrada pela especialista Carolina Loth Kratzer, contadora com ampla experiência em compliance, auditoria, governança corporativa, consultoria empresarial e treinamentos nas áreas financeira e tributária. Durante o encontro, ela destaca que o Brasil vive a maior transformação do sistema tributário das últimas seis décadas, exigindo planejamento estratégico e uma mudança na cultura de gestão das empresas.
Formação de preços será um dos maiores desafios
Um dos pontos centrais da palestra foi o impacto da reforma sobre a formação dos preços de venda. Segundo Carolina, durante o período de transição haverá diferentes regras de cálculo convivendo simultaneamente, exigindo atenção redobrada das empresas.
"A Reforma Tributária vai impactar na formação do preço de venda. Durante o período de transição, teremos seis fórmulas diferentes para calcular o preço de venda, e nós vamos ter que aprender a comprar pelo preço líquido."
Ela explicou que empresários precisarão rever custos, margens de lucro e estratégias comerciais para manter a competitividade.
A especialista também detalhou a implantação do IVA Dual, modelo que substituirá diversos tributos atualmente cobrados no país.
Pela nova sistemática serão criados:
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que substituirá PIS e Cofins;
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que substituirá ICMS e ISS durante o período de transição previsto na reforma.
Segundo Carolina, embora o novo modelo simplifique a tributação no longo prazo, a fase de adaptação exigirá investimentos em tecnologia, revisão de processos internos e capacitação das equipes.
Crédito tributário dependerá do pagamento do fornecedor
Outro tema considerado crítico foi o funcionamento da chamada apuração assistida, que será baseada nas informações emitidas pelas notas fiscais eletrônicas.
Nesse novo modelo, os créditos tributários somente poderão ser aproveitados quando o fornecedor efetivamente recolher o imposto devido.
"A empresa precisa conhecer o seu fornecedor e saber se ele paga os tributos, porque os créditos só poderão ser apropriados no momento em que o imposto estiver pago. Se o meu fornecedor não pagar o imposto, eu não vou tomar o crédito."
A orientação reforça a necessidade de um controle muito mais rigoroso sobre fornecedores e fluxo financeiro das empresas.
Municípios também precisarão se adaptar
A palestra abordou ainda os impactos da reforma para os municípios.
Carolina explicou que a arrecadação deixará gradativamente de ocorrer na origem da operação e passará a privilegiar o local onde acontece o consumo, alterando significativamente a distribuição das receitas entre as cidades.
"Hoje, se eu emito uma nota fiscal em Capinzal, o imposto retorna para Capinzal. Com a reforma, o imposto vai para o local do consumo. Se a venda for para Florianópolis, o imposto vai para Florianópolis. Os municípios precisarão buscar alternativas para fortalecer o consumo local."
Segundo ela, esse cenário exigirá novas estratégias de desenvolvimento econômico para manter a arrecadação municipal.




