Esportes

Corredoras de Capinzal intensificam preparação para disputar a Maratona Internacional de Florianópolis

  • Jardel Martinazzo
  • 10/08/2026 09:01
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Correr 42 quilômetros exige muito mais do que disposição física. É preciso disciplina, organização, planejamento e, principalmente, persistência. É com essa preparação que as corredoras Jéssica Bárbara Boff e Letícia Baretta, de Capinzal, se aproximam de um dos maiores desafios esportivos de suas trajetórias: a participação na Maratona Internacional de Florianópolis, no dia 30 de agosto.

Em entrevista ao Jornal 102, nesta segunda-feira, as atletas contaram detalhes da rotina de treinamentos e dos desafios enfrentados durante a preparação para a prova. Atletas amadoras, que conciliam a corrida com trabalho, família e demais compromissos, elas chegaram a percorrer aproximadamente 76 quilômetros em uma única semana.

A rotina de treinos acontece, na maioria das vezes, ainda de madrugada. Jéssica e Letícia costumam sair para correr por volta das 5h e, em alguns dias, começam às 4h ou 4h30.

“É o horário que a gente consegue”, explicam. Os treinos para uma maratona são mais longos e exigem mais tempo, o que torna a organização fundamental para conciliar a preparação com a rotina.

Segundo as corredoras, a corrida passou a ser uma prioridade dentro do planejamento, mas sem deixar de lado as demais responsabilidades. Os treinos longos, que tradicionalmente eram realizados aos sábados, agora acontecem aos domingos. Depois, a rotina segue normalmente, com trabalho, família e outros compromissos.

Até 76 quilômetros em uma semana

A preparação inclui quatro sessões de corrida por semana, com a quilometragem variando conforme a fase do treinamento. Na última semana, considerada a mais intensa do ciclo, as duas chegaram a aproximadamente 76 quilômetros.

A programação incluiu um treino de 19 quilômetros na terça-feira, iniciado às 4h da manhã, outros 20 quilômetros na quinta-feira e treinos ainda mais extensos no final de semana, com distâncias entre 28 e 30 quilômetros.

Entre os treinos, o chamado “longão” tem papel fundamental. É nele que as atletas trabalham resistência física e mental e simulam, dentro do possível, as condições que poderão encontrar durante os 42 quilômetros da prova.

A Maratona de Florianópolis, no entanto, não será o primeiro grande desafio da dupla. Antes de chegar à distância máxima, Jéssica e Letícia já completaram quatro meias-maratonas.

A evolução aconteceu de forma gradual, em diferentes ciclos de preparação, até o momento em que perceberam que estavam prontas para dar o próximo passo.

A experiência também reforçou uma convicção: ninguém precisa começar correndo grandes distâncias. Cada pessoa tem seu ritmo e sua própria evolução. O importante, segundo elas, é começar, respeitar os limites e avançar gradualmente.

Sem romantizar: corpo, mente e descanso também têm limites

Apesar da paixão pela corrida, Jéssica e Letícia fazem questão de não romantizar a rotina de preparação para uma maratona.

Como atletas amadoras, que não vivem do esporte, elas precisam conciliar os treinos com todas as demais atividades da vida. E isso significa, muitas vezes, abrir mão de compromissos sociais e aprender a dizer “não”.

A preparação também impõe exigências ao corpo e à mente. Por isso, neste ciclo, o cuidado com o sono e o descanso ganhou ainda mais importância.

Em preparações anteriores, Letícia contou que chegou a realizar treinos depois de dormir apenas três ou quatro horas. Desta vez, a estratégia foi diferente: respeitar mais o descanso e os sinais apresentados pelo organismo.

Letícia ressaltou que quando não consegue dormir o suficiente, a preferência é adiar o treino para o meio-dia ou para o final do dia, em vez de sobrecarregar o corpo.

A mudança demonstra uma evolução não apenas no treinamento, mas também na compreensão de que uma preparação de alto volume exige recuperação adequada.

Correr de madrugada também é uma questão de segurança

Além de ser o horário que melhor se encaixa na rotina, correr ainda de madrugada também está relacionado à segurança.

Por serem duas mulheres correndo pelas ruas ainda escuras, Jéssica e Letícia preferem permanecer próximas ao centro da cidade, onde se sentem mais seguras e conseguem acompanhar o movimento aumentando gradualmente conforme a cidade desperta.

“É escuro, duas mulheres, carro”, relatam.

O horário entre 5h e 6h também proporciona menos movimento de veículos e permite que elas se concentrem melhor na corrida, na respiração e no ritmo.

Em outros horários, o trânsito exige atenção redobrada. Segundo as atletas, muitos motoristas não estão acostumados a encontrar corredores nas ruas, o que aumenta os riscos.

“Os carros não enxergam a gente”, comentam.

Elas contam que já fizeram testes para perceber como é difícil visualizar uma pessoa correndo na rua. Por isso, durante os treinos, uma permanece sempre atenta e alerta a outra sobre a aproximação de veículos.

A rotina de correr cedo também trouxe uma relação especial com a cidade. Segundo as atletas, é comum iniciar o treino em meio ao silêncio e, aos poucos, perceber Capinzal despertando, com o aumento do movimento nas ruas.

Chuva, frio e preparação para qualquer condição

A preparação também incluiu diferentes condições climáticas. Neste ano, as duas enfrentaram bastante chuva e frio durante os treinos.

Apesar do desconforto, elas consideram essas experiências importantes para a preparação. Afinal, não há como prever quais serão as condições encontradas no dia da prova.

A chuva, por si só, não costuma ser motivo para interromper um treinamento. A exceção é quando há raios, situação em que preferem não correr por questão de segurança.

Além do condicionamento físico, enfrentar condições adversas também contribui para preparar a mente para os imprevistos que podem aparecer ao longo dos 42 quilômetros.

Nada de estreias no dia da maratona

Uma das principais regras adotadas pelas atletas durante a preparação é simples: no dia da prova, nada de experimentar algo novo.

Roupa, tênis, meia, alimentação, hidratação e suplementação são testados antecipadamente.

Durante os treinos longos, elas experimentam diferentes marcas de gel, estratégias de hidratação e equipamentos para descobrir o que funciona melhor para cada uma.

A ideia é reduzir ao máximo a possibilidade de imprevistos durante a prova.

A alimentação também é tratada de maneira individual. As duas estão acostumadas a correr muito cedo e, por isso, normalmente fazem os treinos em jejum. Para elas, seria difícil acordar ainda mais cedo para realizar uma refeição antes da corrida.

Durante os treinos mais longos, entretanto, a suplementação e a hidratação são planejadas e testadas com antecedência.

Para as atletas, não existe uma fórmula única. Cada corredor precisa descobrir o que funciona melhor para o próprio organismo e aprender a se conhecer ao longo do processo.

Fase de polimento entra na reta final

Depois de cumprirem a semana mais intensa do ciclo e realizarem um treino regenerativo para recuperar as pernas, Jessica e Leticia entram agora na fase final da preparação, conhecida como “polimento”.

Neste período, o volume de quilômetros é reduzido significativamente. O objetivo é permitir que o organismo se recupere dos meses de treinamento e chegue à prova descansado e preparado para o esforço.

A viagem da equipe rumo a Florianópolis está programada para a sexta-feira anterior à prova, marcada para o domingo, 30 de agosto.

Além de Jéssica e Letícia, o atleta Eduardo Scarton e outros corredores da região também farão parte da delegação local que participará do evento.

Corrida como inspiração para a vida

A trajetória até a primeira maratona também representa uma transformação pessoal.

Jéssica e Letícia destacam que a corrida não trouxe apenas evolução esportiva, mas também benefícios para a mente e para a vida cotidiana. Para elas, manter o corpo em movimento contribui para o fortalecimento físico e emocional.

“Depois disso a gente está preparada para muita coisa”, resumem.

A convivência com outros corredores também aparece como uma das principais fontes de motivação. Para as atletas, ver pessoas comuns superando seus próprios limites e cruzando a linha de chegada serve de inspiração para continuar treinando.

O incentivo entre amigos e a troca de experiências dentro do esporte também são considerados fundamentais para a evolução.

A mensagem deixada pelas duas é de que a corrida não precisa começar com grandes distâncias. Cada pessoa pode iniciar no seu próprio ritmo, inclusive caminhando, e encontrar no movimento uma forma de cuidar do corpo e da mente.

Convite para a 2ª Corrida e Caminhada da CDL

Durante a entrevista, Jessica Boff, que também atua como coordenadora da CDL Mulher, aproveitou para incentivar a comunidade a sair do sedentarismo e participar da 2ª Corrida e Caminhada da CDL, marcada para o dia 8 de novembro.

O evento contará com modalidades de corrida e caminhada e foi apresentado como uma oportunidade para quem deseja começar ou retomar a prática esportiva.

O lote promocional de inscrições encerra nesta segunda-feira.


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