Polícia

VÍDEO: Delegado aponta indícios de premeditação em feminicídio em Ipira; suspeito desligou internet e retirou câmera

  • Jardel Martinazzo
  • 21/10/2026 18:05
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A investigação sobre o feminicídio de Daiana Gisele Müller, de 38 anos, ocorrido na manhã de terça-feira (20), na comunidade de Linha Capelinha, interior de Ipira, aponta indícios de que o crime foi premeditado. Em entrevista  à Capinzal FM, o delegado de Polícia Civil da comarca, Vinícius Ferraz, revelou que o suspeito, ex-marido da vítima, teria retirado uma câmera de segurança da residência e desligado o roteador de internet antes de cometer o assassinato.

Daiana acionou o botão do pânico do aplicativo PMSC Cidadão por volta das 9h30. A Polícia Militar e o delegado se deslocaram imediatamente até a propriedade. No local, foram constatados sinais de arrombamento em uma janela da residência, indicando que o suspeito teria entrado à força no imóvel.

Durante as diligências, as equipes receberam a informação de que o ex-marido havia enviado uma mensagem a um familiar, dizendo que tinha feito uma besteira e que havia jogado o corpo da vítima em um riacho. A partir das informações, as forças de segurança intensificaram as buscas e localizaram Daiana sem vida, com o corpo parcialmente submerso no curso d’água existente na propriedade.


Justiça decretou prisão preventiva

Após o crime, o suspeito fugiu para Presidente Castello Branco, onde se apresentou espontaneamente a policiais militares. Ele foi preso em flagrante e conduzido à Central de Polícia da comarca de Joaçaba.

Conforme o delegado, foi solicitada a conversão da prisão em flagrante em preventiva, pedido que foi aceito pela Justiça ainda na terça-feira. Durante o interrogatório, acompanhado pela defesa, o investigado optou por permanecer em silêncio.

A Polícia Civil aguarda os laudos definitivos da Polícia Científica, tanto do local do crime quanto do exame cadavérico, para esclarecer cientificamente a causa e o horário da morte. O inquérito está na fase final de conclusão, com o indiciamento do suspeito por feminicídio qualificado.

Vítima tinha medida protetiva

Daiana estava separada do suspeito e havia procurado a Polícia Civil para denunciar ameaças. A Justiça havia concedido uma medida protetiva de urgência que proibia o ex-marido de se aproximar a menos de 100 metros dela, além de impedir contato com a vítima, familiares e testemunhas.

Segundo o delegado, não havia registro formal de denúncia por descumprimento da medida protetiva antes do feminicídio. No dia do crime, porém, o investigado teria violado as restrições impostas judicialmente. A circunstância será considerada na apuração, inclusive quanto aos possíveis reflexos na pena.

As investigações apontam que o crime teria sido motivado por ciúmes e possessividade, em um contexto de intolerância diante do fim do relacionamento.

Delegado comenta limites das medidas protetivas

Durante a entrevista, Vinícius Ferraz também falou sobre os desafios enfrentados pelas forças de segurança no combate à violência doméstica. O delegado ressaltou que as medidas protetivas continuam sendo instrumentos importantes para a proteção das vítimas, mas reconheceu que nem sempre conseguem impedir uma agressão.

“Não é por causa desse caso que vamos descartar completamente as medidas de proteção”, ponderou.

Segundo ele, a rapidez com que alguns crimes são cometidos dificulta a atuação preventiva, mesmo quando a polícia é acionada. O delegado explicou que grande parte da violência doméstica ocorre dentro das residências, o que torna inviável manter vigilância policial permanente em todos os locais onde há pessoas em situação de risco.

Ferraz defendeu o fortalecimento das ações de prevenção, a educação para combater comportamentos violentos e o aprimoramento da legislação, com mecanismos que permitam uma atuação mais rigorosa diante de situações de ameaça.

Daiana era mãe de dois filhos

Daiana tinha 38 anos, era mãe de dois filhos, de 13 e 8 anos, e também cuidava da avó, de 84 anos. A morte provocou comoção na comunidade de Linha Capelinha e em toda a região.

O caso reforça o alerta sobre a gravidade da violência contra a mulher e a importância de buscar ajuda diante de ameaças ou comportamentos de controle e perseguição. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.

 


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