Polícia

Delegado de Capinzal detalha Operação Swatting que investiga falsas ameaças e trotes virtuais

  • Jardel Martinazzo
  • 01/10/2026 10:03
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A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou a Operação Swatting para investigar uma série de falsas ameaças e trotes virtuais realizados pela internet. Segundo a investigação, as ações tinham como objetivo provocar o deslocamento de forças policiais até endereços de pessoas que não tinham relação com os fatos.

A operação é conduzida pela Delegacia de Polícia de Piratuba, com apoio do Cyberlab, Laboratório de Inteligência Cibernética da Polícia Civil de Santa Catarina, e do CyberGAECO, do Ministério Público de Santa Catarina.

Em entrevista diretamente de São Paulo à reportagem da Capinzal FM, o delegado da Comarca de Capinzal, Vinicius Ferraz, detalhou os bastidores da investigação, o cumprimento dos mandados e os próximos passos da operação.


Investigação começou após trote em Piratuba

De acordo com o delegado, a apuração teve início após um trote registrado em Piratuba, que provocou preocupação e mobilização na comunidade.

Diante da complexidade dos fatos e do caráter interestadual das ações virtuais, a Polícia Civil acionou equipes especializadas em inteligência cibernética. A análise de dados e outros elementos digitais permitiu avançar na identificação dos possíveis responsáveis, mesmo com o uso de contas falsas e outros mecanismos para dificultar a localização.

As investigações identificaram dois adolescentes, ambos de 17 anos, residentes nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Conforme a Polícia Civil, eles utilizavam perfis falsos em plataformas digitais e estariam relacionados a atos infracionais que atingiram diferentes municípios de Santa Catarina, entre eles Piratuba, Florianópolis e Penha, além de outras regiões do país.

Mandados foram cumpridos em dois estados

Com manifestação favorável da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Capinzal, a 1ª Vara da Comarca de Capinzal expediu os mandados de busca e apreensão.

As ordens judiciais foram cumpridas simultaneamente em São Paulo e Minas Gerais. Durante as diligências, as equipes apreenderam computadores e celulares que poderão contribuir para o esclarecimento dos fatos.

O delegado Vinicius Ferraz explicou que, nesta primeira etapa, os adolescentes não foram apreendidos. Os equipamentos serão submetidos a perícia, e os resultados poderão indicar a necessidade de novas medidas no decorrer da investigação.

A operação contou com apoio do GAECIBER do Ministério Público de Minas Gerais, do CyberGAECO do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Polícia Civil alerta sobre crimes virtuais

O delegado destacou que o uso de contas falsas e outros recursos tecnológicos não garante anonimato para quem pratica crimes ou atos infracionais pela internet.

Ferraz também chamou a atenção dos pais e responsáveis para a importância de acompanhar a utilização da internet por crianças e adolescentes, estabelecendo limites e observando mudanças de comportamento.

Segundo o delegado, a investigação também encontrou situações relacionadas ao uso excessivo de computadores, isolamento social e afastamento das atividades escolares entre os investigados. O alerta é para que as famílias acompanhem de perto a rotina dos filhos no ambiente digital.

Investigação continua

A Operação Swatting permanece em andamento. Os equipamentos apreendidos serão analisados pela perícia, e as informações obtidas poderão auxiliar na identificação de outros possíveis envolvidos e na apuração de outros atos infracionais relacionados ao caso.

A Polícia Civil também busca esclarecer a extensão das ações e verificar se outras ocorrências registradas em Santa Catarina e em outros estados podem estar relacionadas aos mesmos investigados.

O que significa “Swatting”?

O termo swatting surgiu nos Estados Unidos e é utilizado para descrever a prática de realizar denúncias falsas e graves aos serviços de emergência com o objetivo de provocar o envio de equipes policiais ao endereço de uma vítima inocente.

A prática pode gerar riscos para as pessoas alvo das falsas denúncias e também para os próprios agentes mobilizados para atender uma ocorrência que, na realidade, não existe.


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