Dia do Advogado: Profissional destaca desafios, tecnologia e a importância da atuação humana
- Jardel Martinazzo
- 11/08/2026 11:33

Entre processos, prazos, audiências e decisões que podem mudar o rumo de uma vida, existe uma profissão que tem como matéria-prima algo que nenhuma tecnologia consegue substituir completamente: a confiança.
Neste 11 de agosto, Dia do Advogado, a reportagem conversa com a advogada Dra. Fabiana Matzembacher sobre uma profissão que vem mudando rapidamente, impulsionada pela digitalização, pelas audiências virtuais e, mais recentemente, pela inteligência artificial.
Ao falar sobre o significado de exercer a advocacia, Dra. Fabiana destacou que a profissão envolve, acima de tudo, confiança e responsabilidade.
“Ser advogado é ter a responsabilidade de ter no seu colo, sob a sua orientação e na sua consciência, a confiança que as pessoas depositaram em você. A advocacia é uma confiança que se entrega a uma consciência”, afirmou.
Segundo a advogada, o profissional muitas vezes é procurado justamente nos momentos mais difíceis da vida de seus clientes, quando é necessário encontrar caminhos para situações complexas.
“O advogado é quem tem a possibilidade de auxiliar as pessoas nos momentos mais graves, mais difíceis às vezes. Quando tudo já se foi, onde tudo já se calou, no momento mais difícil, vem o advogado para talvez achar o caminho. Esse é o nosso grande desafio, e isso é diário”, destacou.
Tecnologia transforma a rotina dos advogados
A entrevista também abordou o impacto das novas tecnologias e da inteligência artificial na advocacia. Para Fabiana, as ferramentas tecnológicas vieram para auxiliar o trabalho, mas não eliminam a necessidade da atuação do profissional.
“Não dá para nós negarmos o avanço da vida, o avanço da tecnologia. O que muda é a forma como você se posiciona diante das inovações. Se você se aliar a ela e utilizá-la como ferramenta, vai ter um proveito muito maior”, explicou.
Na avaliação da advogada, a inteligência artificial já contribui principalmente em atividades de pesquisa, como legislação, jurisprudência e doutrina, permitindo economia de tempo na rotina dos escritórios.
Para ela, entretanto, a principal questão não é se a tecnologia substituirá o advogado, mas o que o profissional será capaz de oferecer depois que essas ferramentas assumirem parte das tarefas.
“A pergunta que nós, advogados, nos fazemos é: o que é que nós vamos entregar depois da IA?. Isso facilitou muito, economizou muito o nosso dia. Mas quem é o advogado que tem essa ferramenta para facilitar o seu dia? O que é que nós vamos, a partir de agora, entregar? Esse é o nosso desafio.”
Audiências virtuais mudaram a rotina
Outro aspecto destacado na entrevista foi a mudança provocada pelas audiências virtuais. Se antes o advogado precisava se deslocar diariamente entre diferentes fóruns e comarcas, hoje é possível participar de várias audiências no mesmo período, inclusive em outras cidades e estados.
“Hoje a gente faz três, quatro audiências numa tarde. Antigamente a gente fazia uma audiência, por exemplo, ou duas por dia. Hoje a gente faz quatro audiências, às vezes até fora do estado. Então facilitou muito isso”, contou.
Apesar das facilidades, Fabiana observa que a digitalização também reduziu parte do contato presencial entre os profissionais.
“Perdeu esse glamour. Perdeu esse contato com os colegas, o contato com o fórum, com os servidores do fórum. Eu ainda tenho o hábito de, vez ou outra, ir ao fórum, abrir os gabinetes lá e dizer ‘Oi, tudo bem?’, porque a gente sente falta disso”, relatou.
O acesso aos processos também se tornou mais rápido. Segundo ela, atualmente a rotina de prazos e documentos pode ser acompanhada diretamente pelo computador, tornando o trabalho mais ágil e organizado.
A essência da advocacia
Mesmo diante das transformações tecnológicas, Fabiana reforça que a profissão não pode perder seu caráter humano.
“Temos que olhar para isso com bons olhos, mas sem perder a boa essência que nós, advogados, guardamos”, afirmou.
Ao deixar sua mensagem pelo Dia do Advogado, a profissional também destacou as dificuldades enfrentadas diariamente pela categoria, especialmente diante da responsabilidade de lidar com situações complexas e com as expectativas dos clientes.
“Só nós sabemos a dureza do nosso dia, o tamanho da nossa preocupação, o tamanho da nossa responsabilidade com o cliente. Às vezes existem casos complexos em que a gente acaba não achando a solução tão fácil, ou demorando para encontrar, ou sendo mal interpretado até pelo próprio cliente”, afirmou.
Fabiana encerrou parabenizando os colegas de profissão e ressaltando que, apesar das mudanças tecnológicas e da modernização dos processos, a advocacia continua tendo como essência a confiança, a responsabilidade e a capacidade de compreender as pessoas por trás de cada caso.




