OUÇA: “Bullying não é brincadeira”: psicólogo de Capinzal alerta para sinais e impactos da violência
- Jardel Martinazzo
- 20/10/2026 10:24

Uma ofensa repetida, a exclusão intencional de um colega ou situações constantes de humilhação podem parecer brincadeiras para alguns, mas representam sinais de alerta para possíveis casos de bullying. No Dia Mundial de Combate ao Bullying, celebrado em 20 de outubro, o psicólogo da Secretaria de Educação de Capinzal, Giovani Cicconett, reforça a importância de reconhecer essas situações e buscar formas de interromper o ciclo de violência.
Em entrevista, o profissional abordou as características que diferenciam o bullying de conflitos pontuais, os sinais apresentados por crianças e adolescentes, as consequências emocionais e o papel da família e da escola na prevenção.
O que caracteriza o bullying?
Segundo Cicconett, o bullying é marcado pela perseguição sistemática e se diferencia de desentendimentos ocasionais entre estudantes pela repetição das agressões, pela intenção de provocar sofrimento e pela desigualdade de poder entre os envolvidos.
“O bullying se diferencia de outras violências que acontecem na escola porque ele é caracterizado como uma perseguição sistemática”, explica o psicólogo.
As situações podem envolver agressões físicas, ofensas verbais, humilhações, intimidação e exclusão social. Por isso, é importante que comportamentos recorrentes não sejam minimizados ou tratados apenas como brincadeiras.
Mudanças de comportamento exigem atenção
O psicólogo destaca que o sofrimento causado pelo bullying pode se manifestar de diferentes maneiras. Entre os sinais que merecem atenção estão o isolamento, a tristeza frequente, a irritabilidade, os episódios de choro e a recusa em frequentar a escola ou participar de atividades habituais.
A escuta atenta de pais e responsáveis é fundamental para identificar possíveis situações de violência. Criar um ambiente em que crianças e adolescentes se sintam seguros para falar sobre suas experiências facilita a identificação do problema e a busca por ajuda.
Impactos na saúde mental
As consequências do bullying não atingem apenas quem sofre as agressões. Os autores e os estudantes que presenciam os episódios também podem ser afetados pelo ambiente de violência.
Para as vítimas, a exposição repetida pode provocar sofrimento emocional, ansiedade, tristeza e prejuízos à autoestima. Já entre aqueles que praticam as agressões, a ausência de orientação e intervenção pode reforçar comportamentos violentos como forma de lidar com conflitos.
As testemunhas, por sua vez, podem sentir medo, insegurança e desconforto diante das situações. Quando não há intervenção, existe o risco de que a violência seja naturalizada na convivência escolar.
Família e escola devem atuar juntas
Para Cicconett, o combate ao bullying exige uma atuação conjunta entre família, escola e comunidade. O primeiro passo é acolher a vítima, demonstrar que ela não tem culpa pelas agressões e buscar diálogo com professores e equipes pedagógicas.
Quando necessário, a situação também pode ser encaminhada aos órgãos de proteção competentes.
O trabalho com quem pratica o bullying também é importante. É necessário compreender os motivos do comportamento, orientar o estudante e desenvolver a empatia, sem deixar de responsabilizá-lo pelas atitudes.
“Precisamos combater não só o bullying físico, mas também a comunicação violenta, o uso de palavrões, xingamentos e qualquer forma de disputa baseada na opressão”, reforça o psicólogo.
“Você não está sozinho”
Giovani deixou uma mensagem para crianças e adolescentes que enfrentam situações de bullying, destacando a importância de pedir ajuda e não enfrentar o problema sozinhos.
Para quem pratica as agressões, a orientação é refletir sobre as próprias atitudes, reconhecer o sofrimento causado e buscar formas mais respeitosas de se relacionar.
A
prevenção começa com o reconhecimento de que o bullying não é uma brincadeira
inofensiva. A escuta, o acolhimento e o diálogo são fundamentais para construir
um ambiente escolar mais seguro, respeitoso e saudável para todos.





