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Enchente de 1983 completa 43 anos: uma história de perdas, solidariedade e recomeço em Capinzal

  • Jardel Martinazzo
  • 07/07/2026 08:46
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Existem datas que a história registra pelos acontecimentos. Outras permanecem vivas pela memória das pessoas. O 7 de julho de 1983 é uma delas. Um dia em que a força das águas destruiu casas, interrompeu rotinas e levou embora anos de trabalho, mas que também revelou algo que nenhuma enchente conseguiu arrastar: a solidariedade e a capacidade de reconstrução de uma comunidade.

Há 43 anos, as águas do Rio do Peixe transformaram a paisagem de Capinzal, Ouro e de todo o Baixo Vale. Mas, em meio à destruição, nasceu um dos maiores símbolos de superação da história do município: a Vila Sete de Julho, um bairro que carrega no próprio nome a lembrança daquele momento e a história de famílias que precisaram recomeçar.

Após cerca de duas semanas de chuvas intensas, o Rio do Peixe atingiu um dos maiores níveis já registrados na região. Em Capinzal, a correnteza provocou grandes estragos, especialmente na antiga Rua Beira Rio, onde hoje está localizada a Área de Lazer Dr. Arnaldo Favorito. Dezenas de casas foram destruídas ou levadas pelas águas, deixando famílias desalojadas. O centro da cidade ficou alagado, o comércio sofreu prejuízos e serviços essenciais, como energia elétrica e telefonia, foram afetados.

Em Ouro, os impactos também foram significativos. Moradores tiveram suas casas atingidas, acessos foram comprometidos e muitas famílias perderam praticamente tudo. Naquele momento de dificuldade, a união da comunidade fez a diferença. Igrejas, ginásios e residências serviram de abrigo, enquanto voluntários e autoridades se mobilizavam para auxiliar as vítimas.

Da maior enchente da história recente de Capinzal surgiu uma nova oportunidade de vida para muitas famílias. Com o objetivo de retirar moradores das áreas de risco às margens do rio, a administração municipal, na época comandada pelo prefeito Celso Farina, viabilizou uma nova área de moradia na chamada Estrada Velha, em terreno doado por Lourenço Brancher.

O local recebeu casas pré-moldadas cedidas pela Eletrosul, originalmente utilizadas nas obras da barragem de Foz do Areia, no Paraná. Assim nasceu a Vila Sete de Julho, criada para acolher as famílias atingidas pela enchente e batizada em homenagem à data que ficou marcada na memória da cidade.

O que começou como uma resposta emergencial diante da tragédia transformou-se, ao longo dos anos, em uma comunidade consolidada, com escola, igreja, comércio e centenas de moradores. Mais do que um bairro, a Vila Sete de Julho representa a força de um povo que, diante da perda, escolheu reconstruir.

Quarenta e três anos depois, lembrar aquele 7 de julho não significa apenas reviver a dor da enchente, mas reconhecer a coragem, a união e a esperança que nasceram depois que as águas baixaram. Porque a maior marca daquela data não foi apenas o que a enchente levou, mas tudo aquilo que a comunidade conseguiu construir novamente.


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