Ex-diretor de Saúde avalia oitiva na CPI dos Medicamentos em Capinzal e aponta falha em controle de receituários
- Jardel Martinazzo
- 16/06/2026 11:26

Na manhã desta terça-feira (16), o ex-diretor de Saúde de Capinzal, Cleverson Machado Pereira, prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos. Em entrevista logo após a oitiva, Cleverson avaliou o testemunho como tranquilo e destacou que o momento foi oportuno para delimitar as competências de cada setor do órgão municipal.
"Foi uma oportunidade muito grande para esclarecer os fluxos e o que é atribuição da diretoria administrativa, do setor de farmácia e da vigilância", afirmou o ex-diretor.
Um dos momentos mais debatidos na oitiva envolveu o documento de transição repassado à nova gestão em 2025. Cleverson esclareceu que há um descompasso técnico no que o relator da CPI chama de "inventário físico e contábil" (focado em psicotrópicos como opioides e benzodiazepínicos).
Segundo o ex-diretor, o que de fato foi entregue à época foi apenas um relatório emitido pelo sistema. Ao assumir, a equipe realizou a contagem física do estoque real, cruzou com os dados informatizados e acabou identificando divergências que inviabilizaram o uso daquele relatório inicial.
Outro ponto da investigação diz respeito ao controle de blocos de receitas médicas. Cleverson revelou que, durante o período em que esteve na pasta, a prefeitura não mandou rodar novos talonários em gráficas, limitando-se a distribuir o material que já estava em estoque.
O problema central exposto pelo ex-diretor era a ausência histórica de um rastreamento numérico:
Não havia protocolo de entrega nominal ou por unidade de saúde quando o governo assumiu.
Sem a numeração cadastrada, torna-se inviável precisar se os blocos sob suspeita saíram do estoque centralizado ou se foram subtraídos diretamente das unidades de saúde ou de profissionais médicos.
O ex-diretor ressaltou que a checagem no setor administrativo nunca acusou falta de blocos, sugerindo desvios nas pontas do atendimento. O controle rigoroso dessas numerações só veio a ser implementado de forma recente, sob o comando do secretário Rafael.
Ao final da oitiva, Cleverson opinou sobre a abrangência do caso, que corre em paralelo com investigações da Polícia Federal. Para ele, o escândalo gira em torno da "atitude isolada, deplorável e condenável" de um único servidor público.
Por fim, o ex-gestor sinalizou aos membros da CPI que a comissão precisa avançar nos depoimentos e convocar tanto o responsável técnico da farmácia municipal quanto a equipe da Vigilância Sanitária, uma vez que as maiores dúvidas restantes recaem sobre os processos de fiscalização e controle sanitária e os fluxos diários desses medicamentos controlados.




