Ex-tesoureiro é indiciado por desvio de R$ 4,3 milhões da Prefeitura de Joaçaba
- Jardel Martinazzo
- 06/10/2026 08:48

O ex-tesoureiro da Prefeitura de Joaçaba Bruno Rogério da Espada foi indiciado pela Polícia Civil pelo desvio de aproximadamente R$ 4,3 milhões dos cofres públicos entre os anos de 2017 e 2026. A conclusão das investigações foi detalhada à imprensa na tarde desta segunda-feira (5) pelo delegado regional Gilmar Bonamigo e pelo delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC), André Cembranelli.
O esquema fraudulento veio à tona em 16 de dezembro de 2025, durante auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). O levantamento apontou que o servidor transferia valores da conta destinada à cota-parte do ICMS diretamente para sua conta pessoal, sem qualquer registro contábil, empenho ou liquidação de despesa. Para encobrir os rombos, ele realizava uma recomposição artificial do saldo com recursos de outras contas do município, a exemplo do Simples Nacional, IPVA e aplicações financeiras.

Policia Civil/Divulgação
Conforme a Polícia Civil, o inquérito durou cerca de nove meses. A apuração incluiu a oitiva de aproximadamente 20 pessoas e a identificação de 868 condutas criminosas de desvio. Os desvios de valores iniciaram modestos, na faixa de R$ 2 mil a R$ 3 mil, e saltaram com o passar dos anos à medida que o ex-servidor não era descoberto, alcançando somas maiores entre 2024 e 2025.

As investigações apontaram que cerca de R$ 1,4 milhão foi sacado em espécie em Joaçaba e Herval d'Oeste, R$ 700 mil aplicados em jogos de loteria e R$ 2 milhões repassados via transferências bancárias a pessoas de seu convívio íntimo. Os delegados ressaltaram que os beneficiários desses repasses alegaram desconhecer a origem ilícita dos recursos e que não foram encontrados indícios de enriquecimento ilícito patrimonial do investigado. Nenhum outro envolvido foi apontado no esquema.

O inquérito policial será encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que poderá requerer novas diligências ou oferecer denúncia contra o ex-tesoureiro por crimes continuados. A prisão preventiva havia sido solicitada pelo Ministério Público anteriormente, mas foi indeferida pelo juiz de garantias — decisão mantida pelo Tribunal de Justiça —, sendo aplicadas medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica.
As instituições bancárias envolvidas também poderão ser responsabilizadas na esfera cível devido a falhas operacionais na liberação de chaves e senhas de movimentação.
Créditos: Caco da Rosa




