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Grupo de Apoio à Adoção de Capinzal e Escola do Legislativo promoveram palestra em alusão ao Dia Nacional da Adoção

  • Jardel Martinazzo
  • 26/05/2026 20:52
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Em alusão ao Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio, o Grupo de Estudos e Apoio à Adoção 25 de Maio de Capinzal promoveu, na noite desta terça-feira (26), um momento especial de reflexão sobre a importância dos vínculos familiares. A programação, em parceria com a Escola do Legislativo Íria Dambróz, foi marcada por uma palestra ministrada pela educadora e neuropsicopedagoga clínica Gisele Aparecida Szemansqui, que abordou o tema “Raízes afetivas: como a família (adotiva ou não) pode transformar emoções em pertencimento”.

O encontro ocorreu no plenário do Legislativo e contou com mais de 60 participantes, entre pais adotivos e famílias que estão em processo de adoção.

Conforme Marines Bonassi, secretária do grupo, o tema buscou reforçar que os laços familiares vão além da origem biológica. “Não só na família adotiva e nem só na família biológica, a gente precisa ter os laços afetivos na família”, destacou.

Durante a palestra, Gisele enfatizou a importância do afeto na construção emocional das crianças e na formação do sentimento de pertencimento. Segundo ela, o convite do grupo foi para falar sobre como compreender e transmitir afeto, além de estabelecer limites sem brutalidade e sem causar traumas.

Ao explicar o conceito de “raízes afetivas”, a palestrante afirmou que a base emocional construída dentro da família é essencial para o desenvolvimento humano. “A raiz afetiva de onde nós viemos é a nossa base. Quem tem uma raiz bem firme, um afeto bem adubado nas raízes, pode voar longe, e acredito que esse é o objetivo da maioria dos pais”, ressaltou.

Gisele também destacou a capacidade de transformação proporcionada pelo amor e pelo acolhimento familiar, inclusive no desenvolvimento cerebral das crianças. Conforme ela, estudos científicos comprovam que o afeto é capaz de modificar estruturas emocionais e cognitivas. “O nosso cérebro tem neuroplasticidade. O amor dado a essa criança adotiva pode transformar as raízes que ela trouxe de uma vida anterior para dentro da família adotiva”, explicou.

A palestrante reforçou ainda que todas as crianças têm potencial de desenvolvimento, independentemente da idade em que chegam à adoção. “Toda criança pode evoluir, pode aprender e viver de acordo com aquilo que as famílias que a acolheram no coração transmitem para ela”, afirmou.

Ela também comentou sobre a adoção de irmãos, realidade frequente nos processos atuais. “Algumas vezes não é possível separar irmãos. Então, ao invés de você querer um filho, acaba recebendo mais de um ao mesmo tempo. As famílias se tornam maiores e o amor pode ser multiplicado”, destacou.

Atualmente, o grupo reúne cerca de 40 casais participantes, entre pais que já constituíram família por meio da adoção e famílias que ainda aguardam na fila do processo adotivo. Com mais de 23 anos de atuação, o Grupo de Estudos e Apoio à Adoção 25 de Maio atende toda a comarca de Capinzal, abrangendo também os municípios de Lacerdópolis, Ouro e Piratuba.

O grupo também funciona como porta de entrada para famílias interessadas em iniciar o processo de adoção. Segundo Marines, os interessados devem procurar o Fórum de Capinzal, onde recebem encaminhamento para o curso preparatório realizado com apoio da assistência social. Após a habilitação, passam a integrar a fila oficial de adoção.

Mesmo antes dessa etapa formal, o grupo já acolhe famílias interessadas. “Quem tem esse desejo já pode participar. O grupo é aberto tanto para pais adotivos quanto para quem ainda está esperando pela adoção”, explicou Marines.

Sobre o cenário recente das adoções, a representante observa que ainda existem desafios relacionados ao perfil desejado pelas famílias. Segundo ela, muitos pretendentes buscam crianças menores, enquanto a realidade atual apresenta crianças mais velhas disponíveis para adoção. Apesar disso, novas adoções continuam acontecendo. “Há cerca de 30 dias, um casal conseguiu concluir uma adoção”, relatou.

“Essa data é uma data, claro, muito importante. E a gente tá muito feliz. Eu, principalmente, como mãe. É o primeiro ano meu como mãe da Júlia, graças a Deus”, relatou Odinélia da Nóbrega, que esteve na palestra com o esposo Jackson.

Ela contou que a decisão pela adoção surgiu diante de uma condição de saúde que impossibilitou a gravidez. “A nossa história é bem linda, mas, pra resumir, eu tenho um problema de saúde. Eu não consigo parar as minhas medicações pra engravidar. Então decidimos adotar. Fizemos o curso, entramos na fila e estamos aqui.”

Segundo o casal, a espera até a chegada da filha durou nove anos. “Ficamos nove anos esperando. Agora sai e é a alegria da casa. A nossa alegria também, de ter ela na nossa família.”

Odinélia também revelou que a adoção aconteceu em meio a momentos difíceis vividos pela família. “Depois de uma perda também… eu não tenho pai, não tenho mãe e a gente já perdeu nossa filha também.”

Sobre o perfil desejado, ela explicou que o casal queria acompanhar as primeiras fases da infância. “O perfil era o que a gente queria: de zero a um ano. Porque eu queria viver toda aquela parte, sabe. Acompanhar cada fase da criança, desde o primeiro mês. Embora ela não tenha vindo no primeiro mês, chegou com 10 meses ainda. Então a gente tem aquele processo até um ano.

Demais eventos do Grupo 

Além do trabalho de acolhimento e orientação, o grupo mantém um calendário anual de atividades. Entre os eventos previstos para 2026 está o bingo da entidade, marcado para 15 de agosto, com o objetivo de arrecadar recursos destinados às confraternizações e ações sociais, incluindo atividades com crianças acolhidas na Casa Lar.

No dia 29 de agosto será realizada a tradicional festa agostina promovida pela entidade. Já em 11 de outubro, o grupo realizará uma ação especial alusiva ao Dia das Crianças, levando crianças acolhidas do abrigo para um espaço previamente reservado, com momentos de lazer e entrega de presentes. Em dezembro, também está prevista uma confraternização natalina, ainda sem data definida.

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