Saúde

Médico alerta para os riscos do cigarro eletrônico à saúde

  • Jardel Martinazzo
  • 10/03/2026 15:51
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Apesar de muitas pessoas acreditarem que o cigarro eletrônico seja menos prejudicial do que o cigarro tradicional, especialistas alertam que o dispositivo também apresenta sérios riscos à saúde, podendo causar dependência e danos significativos ao sistema respiratório.

Para esclarecer o assunto, a reportagem conversou com o médico Kevin Timm Lutz, que atua no Hospital Nossa Senhora das Dores, o qual destacou que o uso desses dispositivos tem se popularizado principalmente entre jovens, muitas vezes impulsionado pela curiosidade, pela influência de grupos e pela falsa ideia de que o produto é inofensivo.

Segundo o médico, o cigarro eletrônico funciona a partir do aquecimento de líquidos que contêm nicotina e diversos compostos químicos responsáveis por sabores e aromas. Esse processo gera um vapor que é inalado pelo usuário, mas que pode provocar lesões nas vias respiratórias.

De acordo com o especialista, a inalação dessas substâncias em ambiente aquecido e úmido favorece a absorção de compostos químicos pelo organismo, o que pode causar inflamações, cicatrizes nos pulmões e outras complicações respiratórias.

O médico explica ainda que o pulmão é um órgão extremamente delicado. Quando ocorre uma lesão nas estruturas responsáveis pela troca de oxigênio, chamadas alvéolos, o tecido pode sofrer danos permanentes. Diferente de outras partes do corpo, as cicatrizes formadas no pulmão comprometem a respiração e não podem ser revertidas.

Entre as doenças associadas ao uso desses dispositivos estão a fibrose pulmonar, o enfisema e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Além disso, estudos recentes também têm relacionado o cigarro eletrônico a uma condição específica conhecida como EVALI, doença pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos, que pode levar à internação hospitalar e até à necessidade de tratamento em unidades de terapia intensiva.

O médico relatou inclusive um caso atendido recentemente envolvendo um jovem com menos de 18 anos que precisou ser internado após desenvolver um pneumotórax, condição grave em que ocorre o colapso parcial do pulmão, possivelmente relacionada ao uso desses dispositivos.

Outro ponto destacado pelo especialista é a presença da nicotina, substância altamente viciante. Segundo ele, embora o usuário possa sentir um alívio momentâneo da ansiedade, o efeito é temporário e acaba gerando um ciclo de dependência, fazendo com que a pessoa tenha vontade de utilizar o dispositivo repetidamente.

Além dos problemas respiratórios, o uso de produtos com nicotina também está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

No Brasil, a comercialização de cigarros eletrônicos é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, justamente devido aos riscos à saúde e à falta de comprovação científica de segurança desses produtos.

Por fim, o médico reforça que, apesar de muitas pessoas verem o cigarro eletrônico como uma alternativa ao cigarro tradicional, o dispositivo também pode trazer consequências graves, especialmente quando utilizado por jovens.

Segundo ele, a curiosidade e a pressão social acabam levando muitos adolescentes a experimentar o produto, sem que haja plena consciência dos riscos envolvidos. O alerta, portanto, é para que a população evite o uso desses dispositivos e priorize hábitos que preservem a saúde respiratória

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