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OUÇA: De Lacerdópolis para a ONU: trajetória de Felipe Dall’Orsoletta inspira pela dedicação e superação

  • Jardel Martinazzo
  • 06/07/2026 13:25
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A trajetória de um profissional nascido em Lacerdópolis ganhou destaque na programação do Jornal 102 desta segunda-feira (6). Bacharel em Ciências Ambientais e mestre em Gestão Econômica do Meio Ambiente pela Universidade de Brasília (UnB), Felipe Dall’Orsoletta compartilhou sua história de dedicação e superação, que o levou a integrar a Organização das Nações Unidas (ONU), onde atua desde 2019.

Atualmente, Felipe trabalha no Centro Internacional de Tecnologia Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), em Osaka, no Japão. Antes disso, passou por escritórios da organização no Panamá e no Uruguai, acumulando experiências que contribuíram para sua formação profissional e pessoal.

Durante a entrevista, ele relembrou que o interesse pela área ambiental surgiu ainda na juventude, motivado pela preocupação com a preservação dos recursos naturais e com o futuro das próximas gerações. Segundo Felipe, a ideia de causar danos ao meio ambiente sempre lhe causou incômodo, o que o levou a escolher a carreira voltada às Ciências Ambientais.

A caminhada, no entanto, não foi fácil. Enquanto cursava o mestrado na UnB, precisou tomar uma decisão importante. Após ter o pedido de flexibilização da jornada de trabalho negado pelo empregador, optou por pedir demissão para concluir os estudos. Para garantir o sustento durante esse período, trabalhou como motorista de aplicativo nos dias em que não tinha aulas.

As oportunidades internacionais começaram com um estágio não remunerado no escritório da ONU no Panamá. Para reduzir os custos, chegou a morar em condições bastante simples. A experiência, apesar das dificuldades, foi decisiva para sua carreira. No país, também viveu momentos marcantes, como a convivência com comunidades rurais sem acesso à energia elétrica, onde percebeu que qualidade de vida e felicidade nem sempre estão ligadas ao consumo ou à tecnologia.

Posteriormente, atuou no Uruguai, onde destacou a proximidade cultural entre os dois países, especialmente pela paixão compartilhada pelo futebol e pelo chimarrão, conhecido pelos uruguaios como "mate".

Hoje, vivendo em Osaka, Felipe enfrenta uma rotina intensa. O deslocamento diário até o escritório leva cerca de uma hora, utilizando trem e metrô. O centro onde trabalha está instalado em uma área que, décadas atrás, era um grande lixão e foi transformada em um parque, exemplo de recuperação ambiental e inovação tecnológica.

Entre os aprendizados no Japão, ele destacou a disciplina, a pontualidade e o respeito às normas de convivência como características marcantes da cultura japonesa, tanto na vida cotidiana quanto no ambiente corporativo. Ele fez questão de reforçar por diversas vezes o apoio de sua esposa, sendo que no período que trabalhou no Panamá, precisaram ficar longe. 

Durante a entrevista, Felipe explicou que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente concentra seus esforços em três grandes desafios globais: a crise climática, provocada pelas emissões de gases de efeito estufa; a perda da biodiversidade e a degradação dos ecossistemas; e a poluição, incluindo a contaminação por substâncias químicas presentes em diversos produtos e que podem afetar a saúde humana.

Ele também ressaltou o protagonismo que o Brasil voltou a exercer nas discussões ambientais internacionais. Segundo o especialista, o país é frequentemente citado como parceiro estratégico em razão de suas políticas públicas voltadas ao meio ambiente, da matriz energética predominantemente limpa e da importância da Amazônia para o equilíbrio climático mundial.

Ao final da conversa, Felipe deixou uma mensagem aos jovens que desejam construir uma carreira internacional. Ele incentivou o uso da tecnologia como ferramenta de aprendizado, reforçou a importância de buscar informações em fontes confiáveis e destacou que investir em educação, aprender idiomas — especialmente inglês e espanhol — e estar preparado são fatores fundamentais para aproveitar as oportunidades que surgirem.

A história de Felipe Dall’Orsoletta demonstra que determinação, qualificação e perseverança podem levar um jovem do interior de Santa Catarina a atuar em uma das mais importantes organizações internacionais, contribuindo diretamente para a construção de soluções voltadas aos desafios ambientais que impactam todo o planeta.


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