Setembro Amarelo reforça importância da escuta e do acolhimento em Capinzal
- Jardel Martinazzo
- 02/09/2026 09:28

Nem sempre um pedido de ajuda vem acompanhado de palavras. Às vezes, ele aparece no silêncio, no isolamento, na perda de interesse pelas coisas que antes traziam prazer ou em uma simples mudança de comportamento. É justamente nesses momentos que uma escuta atenta e um acolhimento sem julgamentos podem fazer a diferença.
Em Capinzal, o Setembro Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental e à prevenção do suicídio, reforça a importância de falar sobre o tema durante todo o ano. A psicóloga Bruna Facin, integrante da equipe do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), destaca que a informação e o diálogo são ferramentas importantes para romper o silêncio e aproximar quem está sofrendo da ajuda necessária.
Segundo Bruna, a campanha vai além de uma ação realizada apenas durante o mês de setembro. A proposta é incentivar uma mudança de olhar sobre a saúde mental e fortalecer as relações de cuidado.
“A principal mensagem é que precisamos aprender a olhar para o outro, perceber sinais de sofrimento, oferecer escuta e acolhimento, e entender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza”, destaca.
Falar sobre o assunto ajuda a romper o tabu
Um dos principais desafios relacionados à prevenção é justamente o tabu em torno do assunto. Bruna explica que existe a ideia equivocada de que falar sobre suicídio poderia incentivar esse tipo de comportamento. Para a profissional, uma abordagem responsável produz o efeito contrário.
“Quando a gente silencia uma dor, ela pode aumentar. Quanto mais falamos com responsabilidade, mais damos liberdade para que as pessoas em sofrimento busquem auxílio”, explica.
A psicóloga também chama atenção para manifestações que podem indicar sofrimento emocional. Entre os sinais estão o isolamento social, a perda de interesse por atividades que antes proporcionavam prazer, alterações bruscas de humor e falas relacionadas à desesperança ou ao desejo de não viver.
Ela reforça ainda que não existe um comportamento único que permita identificar uma pessoa em sofrimento e que cada situação precisa ser observada com atenção e acolhimento.
“Quem fala está, sim, pedindo ajuda e muitas vezes no seu limite. Precisamos ouvir e acolher essa pessoa da maneira mais significativa possível”, afirma.
Onde buscar ajuda em Capinzal
O município conta com uma rede de atendimento para pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas à saúde mental.
O primeiro caminho pode ser a Atenção Básica, por meio das Unidades Básicas de Saúde. O CAPS de Capinzal oferece atendimento especializado para casos de maior gravidade, incluindo situações de ideação suicida e tentativas.
Em situações de emergência ou quando houver risco imediato, a orientação é procurar atendimento de urgência e emergência.
Além dos atendimentos, a equipe do CAPS também promove ações de conscientização durante o Setembro Amarelo. Entre elas está o Piquenique Amarelo, atividade que busca abordar a temática de maneira mais leve e integrada com os pacientes do serviço.
Cuidar também é saber ouvir
Para Bruna, a prevenção não depende apenas dos profissionais de saúde. Ela começa também nas relações cotidianas, dentro de casa, entre amigos, colegas de trabalho e na comunidade.
Mais do que perguntar “como você está?”, é necessário estar disposto a ouvir a resposta e oferecer apoio sem julgamentos.
“A mensagem principal é: você não está sozinho, procure ajuda. No dia a dia, podemos contribuir escutando mais, julgando menos e perguntando de forma verdadeira ‘como você está?’, estando prontos para ouvir de fato a resposta”, conclui a psicóloga.
O Setembro Amarelo, portanto, serve como um lembrete para que a saúde mental deixe de ser tratada como tabu e passe a fazer parte das conversas e dos cuidados cotidianos. Muitas vezes, uma conversa sincera pode ser o primeiro passo para alguém perceber que não precisa enfrentar um momento difícil sozinho.




