Legislativo

Presidente da Câmara de Capinzal fala sobre arquivamento de denúncia da UTI Móvel e pede cautela em caso de bebê queimado

  • Jardel Martinazzo
  • 21/09/2026 23:30
20193852856ab1e8cceaebf7.65900120.jpg

O presidente da Câmara de Vereadores de Capinzal, Kelvis Borges (PP), utilizou a tribuna do Legislativo na noite desta segunda-feira (21), para comentar o arquivamento de uma representação relacionada à aquisição e divulgação de uma ambulância UTI Móvel destinada ao município. Durante o mesmo pronunciamento, o vereador também se manifestou sobre o caso de um bebê de Zortéa que sofreu queimaduras e foi atendido no Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD), em Capinzal.

Segundo Borges, a representação sobre a ambulância foi encaminhada a órgãos de fiscalização e questionava, entre outros pontos, a divulgação da entrega do veículo e a possibilidade de promoção pessoal ou política envolvendo um equipamento público. O vereador afirmou que o procedimento foi arquivado por falta de comprovação de irregularidades.

A denúncia havia sido apresentada em agosto e motivou manifestação pública do parlamentar. Na ocasião, Borges contestou os questionamentos e afirmou que a aquisição da ambulância representava um investimento para melhorar o atendimento à população. Rádio Capinzal

O que era questionado na denúncia sobre a UTI Móvel

A representação questionava a forma como a aquisição e a entrega da ambulância UTI Móvel foram divulgadas. Entre os pontos levantados estava a possibilidade de que a divulgação do equipamento público pudesse caracterizar promoção pessoal ou política, especialmente em razão da proximidade com o período eleitoral.

O vereador negou que houvesse irregularidade e afirmou que a entrega do veículo tinha como objetivo atender às necessidades da população.

Durante a sessão, Borges disse que a análise realizada pelos órgãos de controle resultou no arquivamento do procedimento por ausência de comprovação de ilícitos ou desvio de finalidade.

“A rapidez do Tribunal de Contas e do Ministério Público de Contas demonstra que tínhamos razão. Precisamos nos preocupar com o bem-estar da população e melhorar a qualidade de vida do cidadão, sem politicagem”, afirmou.

O parlamentar também declarou que ainda aguardava o encerramento formal da questão na esfera eleitoral.

Bebê sofreu queimaduras após acidente doméstico

No segundo assunto abordado na tribuna, Kelvis Borges comentou o caso de uma criança de 1 ano e 9 meses, moradora de Zortéa, que sofreu queimaduras provocadas por água quente.

O acidente ocorreu no dia 13 de setembro. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Zortéa, o bebê apresentou queimaduras térmicas de primeiro e segundo graus na face e no tórax, atingindo aproximadamente 15% da superfície corporal.

A criança foi inicialmente levada ao Hospital Nossa Senhora das Dores, em Capinzal, onde recebeu os primeiros atendimentos.

O caso ganhou repercussão após surgir um impasse sobre a continuidade da assistência e a transferência do paciente para outra unidade hospitalar.

Prefeitura de Zortéa contesta versão sobre convênio

A Secretaria Municipal de Saúde de Zortéa afirmou que a continuidade do atendimento teria sido interrompida sob a alegação de que não existiria convênio vigente entre o município e o HNSD.

A secretária de Saúde, Cássia Regina Romani, contestou essa informação e afirmou que o município mantinha convênio com o hospital. Segundo ela, o contrato estaria vigente até dezembro.

A Prefeitura informou ainda que procurou atendimento no Hospital Dr. José Athanázio, em Campos Novos, para dar continuidade à assistência à criança. O município também solicitou formalmente esclarecimentos ao HNSD e informou que o setor jurídico avaliaria o encaminhamento do caso ao Ministério Público.

Hospital apresenta outra versão

Após a manifestação da Prefeitura, o Hospital Nossa Senhora das Dores divulgou uma nota oficial apresentando sua versão sobre o episódio.

Segundo o HNSD, a criança recebeu atendimento médico imediato, com avaliação clínica, higienização, curativos, medicamentos para controle da dor e aplicação de pomada para queimaduras. A instituição afirma que o paciente foi estabilizado antes da definição da transferência.

O hospital também informou que o médico plantonista entrou em contato com o Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST), em Joaçaba, para buscar orientação e continuidade da assistência especializada.

De acordo com o HNSD, desde janeiro de 2025 o município de Zortéa não manteria contrato com a instituição para serviços médicos de sobreaviso nas áreas de Pediatria e Obstetrícia. O hospital afirma que, diante da necessidade de atendimento pediátrico, solicitou autorização à Secretaria de Saúde para acionar um pediatra, com os honorários sendo custeados pelo município.

Ainda segundo a instituição, a Secretaria Municipal de Saúde não autorizou o acionamento do profissional e optou pela transferência da criança para Campos Novos.

O HNSD também afirmou que exigiu a presença de um profissional de enfermagem na ambulância durante o transporte. Segundo o hospital, a medida foi adotada por segurança, considerando a idade da criança e a extensão das queimaduras. Rádio Capinzal

Hospital diz que Prefeitura foi comunicada sobre situação contratual

Na nota, o HNSD afirmou ainda que a situação contratual já havia sido comunicada oficialmente à Prefeitura de Zortéa.

Segundo a instituição, a Congregação das Servas de Maria Reparadoras, mantenedora do hospital, encaminhou uma notificação ao Fundo Municipal de Saúde e à Administração Municipal em março de 2025, informando sobre a rescisão dos contratos de sobreaviso médico nas áreas de Pediatria e Ginecologia/Obstetrícia.

O hospital afirma que o documento foi protocolado pela Prefeitura e que, desde então, não teria recebido nova contratualização para esses serviços. Rádio Capinzal

A Prefeitura, por sua vez, sustenta que o convênio existente contempla o atendimento e contesta a interpretação apresentada pelo hospital sobre a cobertura contratual.

Até o momento, portanto, há versões diferentes das duas partes sobre a situação contratual e sobre as circunstâncias que levaram à transferência da criança.

Vereador pede cautela

Ao comentar o episódio, Kelvis Borges pediu cautela às autoridades e lideranças políticas dos municípios envolvidos.

O vereador afirmou que não pretende atribuir culpa a nenhuma das partes, mas avaliou que informações sobre atendimentos de saúde, principalmente envolvendo crianças, precisam ser tratadas com responsabilidade.

“Quando vi as primeiras entrevistas, entendi que havia alguma informação distorcida. Não quero culpar ou julgar ninguém, mas precisamos ter cuidado ao tratar de assuntos tão sensíveis como a saúde, principalmente envolvendo uma criança, para não prejudicar injustamente uma instituição de extrema importância para a nossa região”, afirmou.

O HNSD atende moradores de Capinzal e de municípios da região. Após a repercussão do caso, a instituição informou que pretende encaminhar a documentação relacionada ao episódio aos órgãos de fiscalização e controle competentes.


Enquete