Polícia

Delegado da DIC revela detalhes de investigação que levou a 10 prisões por latrocínio e organização criminosa em Capinzal

  • Jardel Martinazzo
  • 10/09/2026 12:01
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A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu, na tarde de quarta-feira (9), em Capinzal, o último suspeito que ainda estava em liberdade e era investigado pela morte de Greguri Aron de Souza, de 27 anos. O homem, também de 27 anos, é apontado como envolvido nos crimes de latrocínio — roubo seguido de morte — e integração a organização criminosa.

A prisão foi realizada por equipes da Delegacia de Polícia de Capinzal, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela Vara Estadual de Organizações Criminosas da Comarca da Capital, em Florianópolis.

Com a captura, a Polícia Civil afirma ter localizado e prendido os 10 investigados relacionados ao crime. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Investigação Criminal (DIC) de Joaçaba, em conjunto com a Polícia Civil de Capinzal.

O suspeito preso na quarta-feira foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.

Corpo foi encontrado em estrada rural

O crime ocorreu na madrugada de 3 de abril. Por volta das 5h30, equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar foram acionadas para atender a uma ocorrência às margens de uma estrada rural de Capinzal, a aproximadamente um quilômetro de um pesque-pague da região.

No local, os policiais encontraram o corpo de Greguri Aron de Souza, natural de Capinzal. A vítima apresentava graves ferimentos na cabeça, incluindo um corte profundo na parte superior do crânio e lesões na região frontal. Também foram identificadas marcas nos pulsos.

Durante os trabalhos iniciais, a perícia encontrou nas proximidades do corpo uma pedra com vestígios que indicavam possível utilização nas agressões, além de outros objetos, uma munição intacta e uma cápsula deflagrada.

A partir das evidências coletadas e das diligências realizadas nos meses seguintes, a investigação avançou para a identificação dos envolvidos e para a compreensão da motivação do crime.

Investigação apontou disputa por território do tráfico

De acordo com o delegado André Cembranelli, da DIC de Joaçaba, o caso exigiu uma atuação conjunta entre diferentes equipes da Polícia Civil, com trabalho de campo e inteligência policial para reconstruir a dinâmica do crime.

“Essa investigação deu bastante trabalho desde o início, ali em abril. Foi feito um intercâmbio entre a DIC e a Polícia Civil de Capinzal. Conseguimos apurar a autoria e foram feitas as primeiras prisões em maio e junho. Depois teve mais prisões, incluindo uma prisão em Celso Ramos. Quando concluídas as investigações, conseguimos juntar mais quatro pessoas, totalizando 10 investigados e denunciados pelo crime de latrocínio e de integrar organização criminosa”, explicou o delegado.

Segundo Cembranelli, a apuração identificou uma relação entre a atuação de uma organização criminosa, o tráfico de drogas e uma disputa territorial pela comercialização de entorpecentes.

“A investigação angariou elementos que apontam o envolvimento da organização criminosa, que trabalha dentro e fora do sistema penitenciário catarinense — não vou falar nomes aqui para não ficar dando popularidade para meia dúzia de vagabundo —, envolvimento com o tráfico de drogas e também uma disputa territorial para a venda de drogas. Tudo isso resultou na morte do Greguri”, afirmou.

O delegado também declarou que a vítima possuía envolvimento com a criminalidade local, mas ressaltou que essa circunstância não justificaria a execução.

“A vítima estava envolvida com esse crime no nosso município e terminou da forma que observamos. Mas nada justifica. A gente verifica em cidades maiores a questão da disputa territorial pelo tráfico de drogas, mas nada justifica a morte de qualquer pessoa, seja ela envolvida ou não no tráfico.”

Dez denunciados permanecem presos

Ao longo da investigação, as equipes policiais realizaram diligências e cumpriram mandados em diferentes municípios da região, incluindo Capinzal, Videira, Celso Ramos e Anita Garibaldi.

Ao todo, dez pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Os investigados respondem, conforme o caso, por latrocínio e por participação em organização criminosa, com base no artigo 157, § 3º, inciso II, do Código Penal, e no artigo 2º da Lei nº 12.850/2013.

A Justiça determinou a prisão preventiva dos envolvidos, considerando a gravidade concreta dos fatos e o risco de reiteração delitiva. Um dos acusados, que estava preso temporariamente, também teve a prisão convertida em preventiva.

Para o delegado André Cembranelli, um dos pontos de destaque da investigação é o fato de todos os dez denunciados continuarem presos.

“O mais importante a destacar é que, dessas 10 pessoas que foram presas. Sabe aquela coisa, aquela sensação de impunidade de ‘prende e depois solta’? Por enquanto, as 10 pessoas estão presas. Até mesmo uma mulher que tem filhos, que às vezes fica aquela sensação de ‘ah, mulher fica solta’... Não, as 10 pessoas estão presas.”

Segundo ele, a manutenção das prisões representa uma resposta das instituições diante da gravidade do crime.

“Até mesmo para dar uma resposta, pois é um crime bárbaro. A forma como ele ocorreu trouxe uma repercussão, então a Justiça, a Polícia e o Ministério Público dão essa resposta para a população de Capinzal”, declarou.

Polícia também investiga tráfico de drogas

Paralelamente ao processo relacionado ao latrocínio e à organização criminosa, a Polícia Civil mantém uma segunda investigação envolvendo o mesmo grupo.

Segundo Cembranelli, um inquérito separado apura especificamente a possível prática de tráfico de drogas pelos dez envolvidos.

“Existe um outro inquérito à parte que apura o tráfico de drogas também cometido por essas 10 pessoas, por esse núcleo”, informou o delegado.

A nova apuração busca aprofundar a investigação sobre a atuação do grupo e sua possível relação com a comercialização de entorpecentes na região.

Processo tramita em Florianópolis e não será levado a júri

Apesar de o crime ter ocorrido em Capinzal, o processo tramita na Vara Estadual de Organizações Criminosas (VEOC), em Florianópolis.

De acordo com o delegado, o caso não será submetido ao Tribunal do Júri. A acusação é de latrocínio, crime julgado por juiz singular, e a existência de imputação relacionada a organização criminosa faz com que o processo tramite na vara especializada.

“Ele não vai a Júri. É tratado como latrocínio, um roubo seguido de morte ou matar para roubar. Em razão de estar envolvido com organização criminosa, existe uma vara especializada em Florianópolis que apura e onde esses processos tramitam. Então, apesar de o fato ter ocorrido em Capinzal, tramita na VEOC em Florianópolis”, explicou Cembranelli.

Fase de investigação é encerrada

Com a prisão do último suspeito que permanecia em liberdade, a Polícia Civil considera encerrada a etapa de capturas e a parte formal da investigação policial.

O delegado, no entanto, explicou que a DIC de Joaçaba continuará à disposição do Poder Judiciário caso sejam necessárias novas diligências durante o andamento do processo.

“O trabalho formal encerra na parte de investigação, mas ficamos à disposição do Poder Judiciário para complementação de diligências. O processo segue na fase judicial, e o Ministério Público ou a defesa ainda podem solicitar diligências para a delegacia, então permanecemos nesse standby”, afirmou.

O processo agora segue na Justiça, enquanto as medidas determinadas pelo Judiciário serão cumpridas pelos envolvidos e pelas instituições responsáveis.

Polícia agradece colaboração da população

Ao comentar o encerramento da fase de investigação, André Cembranelli também destacou o trabalho das equipes policiais que participaram da apuração e agradeceu à população de Capinzal pela colaboração.

O delegado citou especialmente a atuação da equipe da Delegacia de Polícia de Capinzal, responsável pela prisão do último investigado.

“Quero destacar o trabalho realizado pela equipe de Capinzal, hoje coordenada pelo delegado Vinicius, que fez a última prisão, e também o apoio sempre essencial da população.”

Segundo Cembranelli, centenas de pessoas foram ouvidas ou tiveram algum tipo de contato com os investigadores durante o trabalho.

“Durante essa investigação, a gente conversou com centenas de pessoas e todas, dentro das possibilidades e apesar de algum receio, sempre colaboraram com a Polícia Civil. Deixo meu agradecimento especial para a população de Capinzal”, finalizou.


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